Moçambique iniciou hoje a utilização do medicamento injetável para prevenção da infeção por VIH lenacapavir, com a primeira dose administrada na província de Maputo, visando reduzir novas infeções e acelerar o controlo da doença no país.
“Estamos aqui hoje, com muito orgulho, a lançar esta nova terapia inovadora, eficaz para a saúde do povo moçambicano, porque sabemos que, juntos, com essas intervenções combinadas que estamos aqui a introduzir, poderemos, a médio e longo prazo, ter gente com saúde”, disse o ministro da Saúde moçambicano, Ussene Isse, durante a cerimónia de lançamento.
A nova opção de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) foi apresentada no Centro de Saúde de Ndlavela, na Matola, arredores de Maputo, marcando a introdução de uma "tecnologia inovadora" na resposta ao Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), com aplicação inicial a pessoas a partir dos 15 anos.
Moçambique regista cerca de 92 mil novas infeções por ano, das quais 34 mil entre adolescentes e jovens dos 15 aos 24 anos, grupo considerado prioritário na nova estratégia de prevenção, referiu o ministro da Saúde.
O novo medicamento será administrado apenas às pessoas com teste negativo para o VIH e prevê duas doses por ano, numa fase inicial em 55 unidades sanitárias das províncias da Zambézia, no centro de Moçambique, e província e cidade de Maputo, no sul do país.
Ussene Isse sublinhou ainda o potencial da nova abordagem para reduzir o estigma e aumentar a adesão à prevenção, sobretudo entre jovens e adolescentes.
“Vai reduzir o estigma e a discriminação (…) e vamos ter maior adesão porque a maior parte das pessoas que usam estes serviços são adolescentes e jovens e nós temos de investir nesta faixa etária, temos de salvar essa juventude, estes adolescentes”, acrescentou.
O ministro destacou que Moçambique passa a integrar o grupo de nove países africanos com acesso à nova tecnologia, considerada de longa duração e elevada eficácia na prevenção, mas alertou para a necessidade de controlo rigoroso na administração do fármaco, sublinhando que o mesmo é gratuito no Serviço Nacional de Saúde e deve ser aplicado apenas em unidades sanitárias.
“Não queremos ouvir que lá fora estão a cobrar, estão a aplicar a injeção”, advertiu.
A introdução do Lenacapavir em Moçambique conta com o apoio do Governo dos Estados Unidos da América e da Organização Mundial da Saúde (OMS), no quadro de parcerias internacionais para reforço da prevenção e controlo do VIH no país, instituições representadas na cerimónia.
A encarregada de negócios da Embaixada dos EUA em Moçambique, Abigail Dressel, afirmou que o lançamento “representa o compromisso contínuo (…) em acelerar o controlo da epidemia do HIV”.
Já a representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), Nelida Cabral, considerou a introdução do Lenacapavir “um marco decisivo na resposta ao HIV em Moçambique”, destacando o potencial para reduzir novas infeções em grupos de risco.
As autoridades de saúde reforçaram que o Lenacapavir deve ser utilizado em combinação com outras medidas de prevenção, incluindo uso do preservativo, testagem regular e educação comunitária, no esforço para travar a epidemia no país.