Cerca de 50 pessoas manifestaram-se hoje frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, pela manutenção das urgências de ginecologia e obstetrícia e em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
“A saúde é um direito, sem ela nada feito”, foram algumas das palavras ouvidas durante o protesto marcado pelo Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos e que decorreu durante a tarde de hoje.
À Lusa, Humberto Costa, da organização do Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos, explicou que as críticas dos utentes passam “pelas medidas deste governo, que estão a criar situações inacreditáveis em Vila Franca de Xira, no Barreiro, em Abrantes, enfim, num conjunto de hospitais que estão a perder valências”, incluindo nas especialidades de ginecologia e obstetrícia.
“Consideramos que este Governo está a transferir e a procurar transferir aquilo que é o nosso Serviço Nacional de Saúde para o setor privado”, referiu Humberto Costa, defendendo que existe uma suborçamentação para a saúde.
Entre os manifestantes, estiveram utentes que se deslocaram das zonas referidas como críticas por Humberto Costa e uma delas foi Madalena Gomes, de 59 anos, que veio de Alverca do Ribatejo, município de Vila Franca de Xira.
O cartaz que segurava em conjunto com outras utentes do mesmo município de Vila Franca de Xira já denunciava o protesto, mas Madalena Gomes explicou à Lusa que na zona onde vive há cerca de 10 mil utentes sem médico de família.
“Deveriam estar no centro de saúde cinco médicos, mas só está a exercer uma médica. Temos uma zona muito envelhecida, muitos idosos”, referiu a mulher de 59 anos, acrescentando que é necessária uma deslocação até Vila Franca de Xira para ter uma consulta.
No final do protesto, o Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos entregou no Ministério da Saúde uma moção que inclui cinco exigências: investimento no SNS, reforço dos orçamentos para a área da saúde, a continuidade dos cuidados de saúde primários na esfera pública, a garantia de que todos os utentes têm equipas de saúde familiar e a abertura de todas as urgências de obstetrícia e ginecologia em todos os hospitais.
O Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos considerou na moção entregue hoje que, com as atuais políticas, “o Governo está a pôr em causa a garantia do acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação”.
Esta concentração foi o último protesto de uma semana de luta do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos, que exige o aumento do investimento no SNS, defendendo “um sistema público forte, universal e de qualidade para todos os cidadãos”.
“É necessário travar a privatização e reforçar o investimento público na saúde. Torna-se imperativo melhorar salários, carreiras e condições de trabalho, bem como reforçar os recursos humanos”, lê-se no comunicado enviado às redações.