O líder do CDS-PP/Açores, Artur Lima, considerou hoje que a criação de um Hospital Central Universitário na ilha de São Miguel, “não é uma etiqueta política” e obedece ao cumprimento de critérios técnicos, clínicos, científicos e académicos.
“Um Hospital Central Universitário não é uma etiqueta política. Resulta, sim, do cumprimento de critérios técnicos, clínicos, científicos e académicos já estabelecidos. Não são vontades, são realidades”, afirmou Artur Lima.
O líder do CDS-PP açoriano e vice-presidente do Governo Regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM falava hoje em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, na sessão de abertura de uma conferência organizada pelo partido sobre “Saúde: redundância, resiliência e recursos”.
A referência de Artur Lima surgiu alguns dias após o presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral (PSD), ter prometido, na cerimónia dos 480 anos de elevação de Ponta Delgada a cidade, ser “intransigente” na defesa de um Hospital Central e Universitário.
“Vamos ser intransigentes na defesa da construção de um Hospital Central e Universitário em Ponta Delgada, única solução urgente e definitiva para o Hospital do Divino Espírito Santo [HDES]”, afirmou.
O autarca considerou “imperioso construir um hospital moderno”, que “garanta cuidados de excelência”, promova a formação e fixe profissionais, numa altura em que o Governo Regional está a projetar uma obra estrutural no HDES, que sofreu um incêndio em maio de 2024.
Hoje, na abordagem do assunto, o líder do CDS-PP açoriano e número dois do executivo regional alertou: “E temos [...] que estar muito cientes da nossa realidade e limitações, sem prescindir das nossas ambições, mas sempre com conta peso e medida, sob pena de sermos desacreditados pelas instituições nacionais”.
Acrescentou que um equipamento de saúde para ser Hospital Central Universitário “terá que cumprir determinados requisitos obrigatórios por lei como seja a capacidade de formar médicos em todas as especialidades, ou seja, o internato médico completo, a capacidade para manter núcleos de investigação científica ativa”.
“Ora, dada a baixa casuística, ao facto de termos um número baixo de recursos humanos e não termos todas as especialidades nos Açores, como conseguiremos, num futuro médio, a longo prazo, cumprir com todos estes requisitos?”.
Na intervenção, Artur Lima sugeriu que, numa altura em que o Governo Regional está a promover a construção de Centros de Saúde na ilha de São Miguel, nomeadamente na Ribeira Grande, “porque não ser audaz e repensar a saúde como deve ser? Porque não ser audaz e repensar este Centro de Saúde como um hospital?”.
“Um hospital onde existiriam algumas especialidades, de modo a descentralizar serviços, aproximar serviços das populações, descomplicar a vida e as deslocações das pessoas e criar mais redundância dentro da própria ilha? É uma reflexão que deixo, que é ter melhor cuidados de saúde de proximidade, descentralizar outras especialidades fora do grande HDES que tem que ser, de facto, o hospital de fim da linha”, defendeu.
O líder do CDS-PP justificou o debate sobre saúde, com a participação dos médicos Mário Freitas e Rui Cernadas e do economista Marco Forjaz Rendeiro, por o setor não estar a atravessar “o seu melhor momento, sobretudo ao nível do seu financiamento”.
O CDS-PP/Açores iniciou hoje um ciclo de conferências para “Refletir a Autonomia” da região, quando se assinalam os seus 50 anos, com a realização, no Centro Interpretativo de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, de uma conferência sobre “Saúde: redundância, resiliência e recursos”.
O partido, que integra a coligação que governa a região desde 2020, com PSD e PPM, pretende, com este ciclo “discutir os avanços e progressos que a autonomia política e constitucional proporcionou à Região Autónoma dos Açores, bem como reconhecer os problemas que ainda persistem”.