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Esposende desiste de um novo centro de saúde que tinha garantidos 6ME do PRR

Lusa
11-04-2026 12:23h

O município de Esposende abandonou o projeto de construção de um novo centro de saúde na cidade e optou pela requalificação do atual, uma medida criticada pelo PSD local, que fala em “falta de visão” do executivo.

O PSD, pela voz do presidente da concelhia, António Morgado, fala ainda em “golpe de rins” dos atuais presidente e vice-presidentes da Câmara, que no anterior mandato, quando eram, respetivamente, presidentes da Assembleia Municipal e da maior junta de freguesia do concelho, “votaram favoravelmente a construção de um novo centro de saúde”.

“Também o atual chefe de gabinete do presidente, que era vereador do PSD no anterior mandato, votou a favor. Agora, sabe-se lá porquê, mudaram de ideias, numa decisão totalmente incompreensível e que consideramos lesiva dos interesses do concelho”, acrescentou.

Na reunião de quinta-feira, a Câmara do distrito de Braga aprovou a adjudicação, por 3,18 milhões de euros, da requalificação do atual centro de saúde, com os votos favoráveis dos eleitos do movimento independente Mudança e os votos contra dos vereadores do PSD.

A maioria, liderada por Carlos Silva, diz, em comunicado, que a decisão de enveredar pela requalificação resulta de uma “avaliação técnica cuidada” ao processo relativo à construção de um novo centro de saúde e foi concertada com a administração da Unidade Local de Saúde Barcelos/Esposende e com os profissionais do setor.

“Dessa análise conjunta, concluiu-se que a solução mais responsável e vantajosa para o concelho passa pela valorização e requalificação do edifício existente”, sustenta a maioria.

Acrescenta que a estratégia é privilegiar a reabilitação do património já existente, “numa lógica de sustentabilidade, eficiência e boa gestão dos recursos públicos”.

“Porque investir melhor é, muitas vezes, saber requalificar em vez de construir novo”, refere.

Sublinha que a opção pela requalificação “permite garantir exatamente as mesmas valências assistenciais previstas para o novo equipamento, com igual qualidade de serviço, não representando a solução de construção nova qualquer acréscimo relevante de valências ou de área funcional, e assegurando, simultaneamente, melhores condições de atendimento aos utentes e de trabalho para os profissionais de saúde”.

“A opção pela requalificação, com financiamento já aprovado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), traduz-se também numa utilização mais racional e com responsabilidade do investimento público, evitando a construção de novas infraestruturas quando é possível, com menor custo e maior rapidez, alcançar os mesmos objetivos através da modernização de equipamentos existentes”, lê-se no comunicado.

O PSD sublinha que estava tudo pronto para a construção do novo centro de saúde arrancar em outubro, num investimento de seis milhões de euros integralmente financiado pelo PRR.

“Era, de longe, a melhor solução para o concelho. A requalificação não passa de uma solução de remedeio, num edifício e num espaço sem margem de crescimento, sem estacionamento, sem acessos condignos”, apontou António Morgado.

Disse ainda que há que ter em conta os custos decorrentes da utilização de espaços alternativos para a prestação dos cuidados de saúde, enquanto decorrerem as obras.

Já a maioria diz que a opção pela requalificação permite também preservar um terreno com potencial estratégico para futuros projetos estruturantes do concelho.

A intervenção prevista incidirá na modernização funcional e técnica do edifício existente, incluindo a reorganização dos espaços, a melhoria das condições de conforto térmico e acústico, a atualização das infraestruturas e a qualificação dos espaços exteriores.

O atual presidente da Câmara, Carlos Silva, foi, no mandato anterior, presidente da Assembleia Municipal, eleito pelo PSD.

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