O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) lançou hoje um guia para promover uma linguagem neutra e inclusiva na comunicação sobre tuberculose e reduzir o estigma associada à doença.
“Ao promover uma linguagem mais neutra e inclusiva, o guia contribui para reduzir o estigma associado à tuberculose e para melhorar a relação entre as pessoas afetadas e os serviços de saúde”, referiu o ISPUP, em comunicado.
A obra “As palavras importam – Guia prático para uma linguagem mais neutra e inclusiva em tuberculose”, disponível na página oficial de Internet do ISPUP, pretende transformar a forma como a tuberculose é comunicada em Portugal, promovendo uma abordagem mais respeitosa, centrada na pessoa e alinhada com os princípios da saúde pública e dos direitos humanos, assinalou.
Desenvolvido por uma equipa de investigadores do Laboratório Epidemiologia das doenças respiratórias, da infeção por micobactérias e outras doenças infecciosas, coordenado pela médica especialista em pneumologia Raquel Duarte, o guia surge num contexto em que a tuberculose continua a representar não apenas um desafio clínico, mas também um desafio social.
“Apesar da redução da incidência da doença nas últimas décadas, a tuberculose permanece associada a estigma, discriminação e desigualdades, fatores que podem influenciar negativamente o bem-estar das pessoas afetadas, dificultar o acesso aos cuidados de saúde e atrasar o diagnóstico e o tratamento”, apontou.
Segundo o ISPUP, este guia destaca o papel determinante da linguagem na forma como a tuberculose é compreendida e vivida, visto que termos frequentemente utilizados em contextos clínicos ou mediáticos podem, inadvertidamente, reforçar estereótipos, sentimentos de culpa ou isolamento social.
“Neste sentido, o guia propõe uma reflexão crítica sobre as palavras usadas e o seu impacto, incentivando práticas comunicacionais mais conscientes e inclusivas”, frisou.
Entre os principais contributos do documento está a identificação de terminologia a evitar e a apresentação de alternativas centradas na pessoa, acrescentou.
Expressões que reduzem o indivíduo à sua condição clínica como “doente” ou “tuberculoso” são substituídas por formulações como “pessoa com tuberculose”, promovendo uma abordagem mais humanizada, frisou.
O guia recomenda ainda cautela na utilização de termos como “caso”, “suspeito” ou “contagioso” que, fora de contextos técnicos, podem contribuir para a estigmatização, salientou o ISPUP.
Estas orientações visam apoiar profissionais de saúde, investigadores, jornalistas e decisores políticos na adoção de práticas comunicacionais mais adequadas e sensíveis ao contexto social da tuberculose, reforçou.