Moçambique registou 72 casos de cólera e um morto em 24 horas, com quase 7.000 infetados na atual epidemia, que já soma 77 óbitos desde setembro, indicam dados oficiais.
De acordo com o mais recente boletim sobre a evolução da doença, da Direção Nacional de Saúde Pública e com dados de 03 de setembro a 02 de março, do total de 6.878 casos, 3.032 foram registados na província de Nampula, com um acumulado de 36 mortos, e 2.464 em Tete, com 29 óbitos, além de 1.003 em Cabo Delgado, que totaliza oito mortos.
Em menor dimensão, o acumulado indica 119 casos e um morto na província da Zambézia, 100 casos e dois mortos em Manica, 158 casos e um morto em Sofala, um caso na cidade de Maputo e um caso na província de Gaza, todos sem novos óbitos.
Nas 24 horas anteriores ao fecho do boletim (02 de março), foram confirmados 72 novos casos, com a taxa de letalidade geral nacional situada em 1,1%, tendo o óbito sido registado no distrito de Tsangano, província de Tete.
No surto anterior, entre 17 de outubro de 2024 e 20 de julho de 2025, tinham sido registados 4.420 infetados, dos quais 3.590 em Nampula, e um total de 64 mortos, pelo que o atual já supera o número de doentes e de óbitos em metade do tempo.
As autoridades sanitárias moçambicanas assumiram em 19 de fevereiro que o país enfrenta uma epidemia de cólera, com a doença então já presente em 22 distritos, avançando com uma campanha de vacinação de 3,5 milhões de pessoas.
“O país tem uma epidemia, claramente, porque temos vários surtos em vários locais. A definição de epidemia é quando temos vários surtos juntos, então sim, temos”, disse o diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, numa conferência de imprensa em Maputo.
O responsável explicou que está em curso uma campanha de vacinação contra a cólera na cidade de Tete e em Moatize, na província de Tete, e nos distritos de Eráti e Nacala Porto, em Nampula.
“Em Tete estamos a vacinar dois distritos e em Nampula outros dois. Inicialmente recebemos 2,5 milhões de doses, que estão a ser alocadas às duas províncias, e dentro de uma semana e meia vamos receber 750 mil doses adicionais. No total, serão 3,5 milhões de doses para vacinar estes quatro distritos”, afirmou.
O Governo de Moçambique pretende eliminar a cólera como problema de saúde pública até 2030, segundo um plano aprovado em 16 de setembro pelo Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).
O objetivo é “ter um Moçambique livre da cólera como problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso a água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas”, declarou então o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa.