SAÚDE QUE SE VÊ
Facebook

Mesa administrativa da Misericórdia de Serpa demite-se em bloco

Lusa
31-07-2026 16:24h

A mesa administrativa da Misericórdia de Serpa, no distrito de Beja, demitiu-se em bloco, após ter sido chumbada a proposta para a gestão partilhada de valências da instituição com um grupo de saúde privado, revelou hoje a provedora demissionária.

Em declarações à agência Lusa, a provedora demissionária da Santa Casa da Misericórdia de Serpa (SCMS), Maria Isabel Estevens, indicou que o pedido de demissão foi apresentado na quarta-feira ao presidente da assembleia-geral.

“Não teve a ver propriamente com o chumbo” desta proposta apresentada pela mesa administrativa em reunião da assembleia geral, na segunda-feira, mas “com a falta de condições para prevenir esse chumbo”, afirmou a responsável.

Maria Isabel Estevens justificou a decisão com “a forma como a assembleia decorreu”, considerando que na reunião “poderiam ter sido revistas e melhoradas” as condições da proposta de contratos com o grupo privado, o que, disse, não aconteceu.

“Agora, apesar de os contratos ainda poderem beneficiar de melhorias, atendendo às sugestões dos irmãos [associados], encontramo-nos fora do tempo para integrar as alterações”, referiu.

Aludindo a outro dos motivos que levaram à demissão em bloco da mesa administrativa, a provedora demissionária defendeu que qualquer administração “deve sentir apoio e um trabalho em rede, principalmente aquelas que estão no seu pior” momento.

“E aquilo que fomos tendo como provas é que, de facto, isso não aconteceu ao longo dos tempos”, acrescentou.

Na assembleia-geral de segunda-feira, os associados da SCME rejeitaram a proposta para que a Misericórdia e o Grupo LA Health formalizassem dois contratos de gestão partilhada para as áreas social e da saúde da instituição.

A proposta previa um contrato para a gestão da estrutura residencial para pessoas idosas (ERPI) e da unidade de cuidados continuados integrados (UCCI) e um outro de consultadoria e mediação na área da saúde.

Em comunicado, a Câmara de Serpa afirmou que o chumbo da proposta representa “um sinal inequívoco da necessidade de encontrar um novo caminho para a SCMS” e revelou ter agendado reuniões com várias entidades sobre o assunto.

E reafirmou a sua “total disponibilidade para colaborar, de forma construtiva e responsável, com todas as entidades envolvidas, tendo em vista uma solução estruturada, estável e duradoura”.

Igualmente em comunicado, a concelhia de Serpa do PCP sustentou que a instituição “não pode ser entregue ao negócio privado” e defendeu “a devolução imediata do hospital e do bloco operatório ao Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

“A rejeição em assembleia-geral confirma que o caminho iniciado com a retirada do Hospital de São Paulo do SNS falhou. A realidade demonstra que a solução não está na entrega da gestão a privados, mas na integração do hospital na rede pública de cuidados de saúde”, acrescentou.

MAIS NOTÍCIAS