A República Democrática do Congo elevou hoje para 1.587 o número de mortos e para 3.605 os casos confirmados de Ébola, devido ao contágio no leste do país decretado a 15 de maio.
A taxa de mortalidade está atualmente em 44%, de acordo com os mais recentes dados oficiais, recolhidos até 30 de julho e divulgados pelo Ministério da Comunicação da RDCongo.
Além destes, 748 infetados estão em "isolamento ou hospitalização" e 651 doentes estão a recuperar da doença, enquanto a taxa de rastreamento de contactos é de 75,3%.
As autoridades da RDCongo assumiram que, até o momento, cinco províncias congolesas foram afetadas pelo surto de Ébola: Ituri (centro do surto), Kivu do Norte, Kivu do Sul e Haut-Uele (no leste), bem como Tshopo (na região centro-norte).
"As iniciativas de comunicação de risco e envolvimento comunitário estão a ser intensificadas através de visitas domiciliárias, palestras educativas, diálogos comunitários e transmissões de rádio para fortalecer a adesão da população às medidas de prevenção", acrescentou o Ministério, numa nota.
A atual surto da epidemia, o 17.º a afetar a RDCongo, tornou-se na sexta-feira no segundo maior da história em número de infeções registadas, superando o surto registado entre 2018 e 2020, também no leste do país, que culminou em 2.299 mortes e 3.481 casos.
O pior surto da história ocorreu na África Ocidental entre 2014 e 2016, causando aproximadamente 11.000 mortes e 28.000 infeções.
Depois de ser declarada em 15 de maio em Ituri, província que faz fronteira com Sudão do Sul e Uganda, a epidemia espalhou-se para a RDCongo.
A 16 de julho passado, as autoridades ugandesas deram alta ao último paciente hospitalizado, tendo registado um total de 20 infeções confirmadas, incluindo 15 casos considerados importados da RDCongo, dois dos quais mortais.
O Governo do Uganda declarou o país "livre de Ébola" a 28 de julho, no final de um período de 42 dias consecutivos sem novas infeções.
A epidemia envolve a cepa Bundibugyo, que apresenta uma taxa de mortalidade entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina autorizada ou tratamento específico, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A OMS avalia o risco de propagação do surto na África Subsaariana como alto e o risco global como baixo.
O vírus Ébola é transmitido pelo contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.