A ministra da Saúde afirmou hoje que o Governo quer garantir até 2.400 vagas para o internato médico e alterar as regras de formação para assegurar, nos próximos anos, especialistas nas áreas de que o sistema de saúde necessita.
“Finalmente dizer aos portugueses que a formação médica é um desígnio nacional. Este ano o Governo autorizou a abertura de 2.400 vagas para o internato médico”, afirmou a ministra na audição regimental no parlamente.
Segundo Ana Paula Martins, o mapa de vagas que o Governo está ainda a ser negociado com a Ordem dos Médicos, a quem por legislação, desde sempre cabe a competência de atribuir a idoneidade e condicionar a oferta formativa.
“Ao longo de anos especialidades médicas fundamentais foram escasseando. Sem que nada se fizesse. Hoje, um português não consegue uma consulta de dermatologia, não só no setor público como no setor privado e os portugueses não compreendem, por que razão, não conseguimos formar mais ortopedistas, mais dermatologistas, mais obstetras, mas cirurgiões, mais anestesiologistas”, declarou
A governante sublinhou, contudo, que aumentar o número de vagas de formação não é suficiente para resolver a falta de especialistas.
“Também sabemos que não basta formar. Há que conseguir atrair e reter os médicos quando acabam o seu internato. Também aí temos um trabalho a fazer”, afirmou.
Segundo a ministra, o Governo tem mantido um diálogo “franco, aberto e colaborativo” com a Ordem dos Médicos e pretende continuar esse processo, mas considera que o próximo concurso constitui um desafio para aumentar a capacidade formativa.
“Este concurso será um desafio que lançámos à Ordem dos Médicos, à capacidade de aumentar as vagas para o internato chegando ao máximo de vagas que autorizamos. Repito, 2.400 vagas fundamentais à saúde dos portugueses nos próximos anos”, afirmou.
Está também em preparação um novo projeto de decreto-lei para regular o Internato Médico, que será discutido pelo Governo com os sindicatos e a Ordem dos Médicos.
“Os ajustes a fazer pelo Governo em diálogo com os Sindicatos e a Ordem terão em conta a necessidade de responder ao país, nos próximos anos, sobre a formação dos médicos”, afirmou.
A ministra defendeu que a nova legislação, prevista para o próximo ano, deve alterar as regras atuais e garantir a formação dos especialistas necessários ao sistema de saúde.
“Não poderemos aceitar que nada mude e tudo fique na mesma”, afirmou, acrescentando que a nova legislação deve “determinar um novo tempo” e garantir que o país forme os especialistas necessários para o sistema de saúde em Portugal nos próximos anos.