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Mortalidade em excesso no inverno foi a mais alta em 10 anos, excluindo a pandemia

Lusa
22-04-2026 13:10h

A mortalidade em excesso neste inverno foi a mais alta dos últimos 10 anos, excluindo os anos da pandemia de covid-19, com 4.685 óbitos acima do esperado, segundo o relatório do Plano de Resposta Sazonal em Saúde.

O relatório do módulo de inverno 2025/2026, a que a Lusa teve acesso, revela que foi identificado um período de nove semanas de excesso de mortalidade em Portugal, com um total de 4.685 mortes além do esperado (até 08 de abril), um excesso de 21%.

Este excesso atingiu todas as regiões de Portugal continental, embora a duração deste período tenha sido variável entre regiões.

O relatório do Plano de Resposta Sazonal em Saúde-Modulo inverno 2025/2026 refere que foram afetados por esta mortalidade em excesso sobretudo os grupos etários entre os 45 anos e os 64 anos, com um excesso de 114 óbitos durante duas semanas, e no grupo etário de 85 anos ou mais, com um excesso de 2.805 mortes num período de nove semanas.

O documento refere ainda que este excesso de mortalidade foi coincidente com a epidemia de gripe e com os períodos de frio extremo registados em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o que potencia problemas de saúde e doenças respiratórias, em especial na população mais vulnerável.

Os dados indicam também que o pico da gripe ocorreu entre o Natal e a 1ª semana de 2026, com “grande pressão nos serviços de saúde”. Nesta altura, o INEM teve mais de 5.000 chamadas/dia, a Linha SNS 24 atendeu mais de 25.000 e os serviços de urgência registaram mais de 10.000 episódios/dia e altas administrativas inferiores às necessidades de internamento.

De acordo com os dados dos excessos de mortalidade por todas as causas identificados durante as epidemias de gripe em Portugal que constam deste documento, no outono/inverno de 2024/2025 houve 1.609 óbitos em excesso, em 2023/2024 foram 3.624 e em 2022/2023 foram 1.959, com dois picos: 1.423 (epidemia de gripe) e 536 (vaga de frio).

As épocas outono-inverno de 2021/2022 e 2022/2023 são influenciadas pela pandemia de covid-19, pelo que não são comparáveis.

Para encontrar dados semelhantes aos de 2025/2026 é preciso recuar até 2014/2015, quando houve 5.491 óbitos em excesso. O ano imediatamente a seguir (2015/2016) foi o último sem mortalidade em excesso.

O excesso de mortalidade é o reflexo de um conjunto cumulativo de situações que se sobrepõem e que têm grande impacto na saúde das populações, entre eles as doenças próprias do envelhecimento, a que se associam comorbilidades, fatores sociais e falta de capacidade de aquecimento das casas (pobreza energética).

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