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Focos de doença animal crescem 63% em Moçambique e matam 25 mil bovinos em 2025

Lusa
14-04-2026 13:41h

O número de focos de doença animal em Moçambique aumentou 63% em 2025, para 542, matando 25 mil bovinos, avançou hoje o Governo, antecipando o lançamento, este mês, de uma campanha de vacinação nas áreas de risco.

“No que concerne à saúde animal, durante o ano 2025 foram reportados 542 focos de doenças animais, comparativamente a 332 no período homólogo de 2024 (...) e o registo de morte em bovinos na ordem de 24.929, causados por doenças de origem animal”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Salim Valá, ao fim da sessão semanal daquele órgão, em Maputo.

Segundo o responsável, o Governo já avançou com restrições na movimentação de animais nas zonas afetadas por doenças, incluindo o reforço da vigilância epidemiológica e a inspeção clínica sistemática de animais nessas áreas, indicando agora que lança, em 29 de abril, a campanha de vacinação para imunizar animais em zonas de risco.

Segundo Salim Valá, a vacinação vai ocorrer na zona da linha de fronteira entre a província de Tete e o Maláui e o Zimbábue, ainda Manica com Zimbábue, Gaza com Zimbábue e Maputo com África do Sul, consideradas áreas de maior risco.

Nas mesmas declarações, o porta-voz do Conselho de Ministros indicou que na presente campanha agrícola 2025/2026 foram afetadas pela praga de lagarta invasora 58.101 hectares, contra 54.660 hectares na anterior campanha, com o Governo a justificar o crescimento da área afetadas com o aumento das áreas semeadas.

“Apesar do aumento da área afetada, os dados indicam que o índice de perda reduziu de 23% na campanha 2024/2025 para 13% na campanha 2025/2026. Esta evolução está associada à ocorrência de níveis mais elevados de precipitação que limitaram a capacidade de ataque da praga”, explicou Valá.

Os criadores de gado moçambicanos pediram em fevereiro um programa de repovoamento animal, a impulsionar pelo Governo, após perderem centenas de cabeças de gado devido às inundações de janeiro, alertando para o risco de fome.

Os dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que só na presente época chuvosa, que começou em outubro e vai até abril, morreram 531.116 animais, entre bovinos, caprinos e aves, e 316.267 hectares de áreas agrícolas foram perdidos, afetando 371.320 agricultores.

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