Três funcionários do Hospital Central de Nampula (HCN), o maior do norte de Moçambique, foram detidos por tentativa de furto de medicamentos e material médico-cirúrgico naquela unidade hospitalar, foi hoje anunciado.
“Infelizmente, sim, houve esta tentativa de roubo de medicamentos a nível da nossa unidade sanitária, mas, devido ao trabalho de equipa da direção do hospital, dos colaboradores e do pessoal de segurança, foi possível impedir que o material saísse da unidade sanitária”, disse o porta-voz do hospital, António Carlos, em conferência de imprensa.
Segundo o porta-voz, a direção da maior unidade sanitária no norte recebeu uma denúncia dando conta de que uma viatura estaria a transportar material pertencente ao hospital para fora das instalações.
Perante a informação, foram reforçadas as medidas de controlo nas saídas da unidade sanitária, com bloqueio temporário dos acessos e intensificação da inspeção de viaturas, frustrando assim a tentativa de furto.
“Logo que tivemos esta informação, a direção, juntamente com o pessoal da segurança, bloqueou as entradas principais no sentido de fazer uma melhor revista às viaturas que fossem sair da unidade sanitária. Foi assim que identificámos uma viatura carregada de material médico-cirúrgico”, explicou o responsável.
O porta-voz do HCN não avançou as quantidades em causa, mas garantiu que os indiciados estão a ser investigados pelas autoridades policiais, incluindo uma eventual participação de outros funcionários no caso.
“De uma forma bruta podemos dizer que havia caixas de soro fisiológico, ainda seladas, mas existia muito mais material que neste momento não podemos precisar”, acrescentou.
O porta-voz apelou à vigilância permanente dos trabalhadores e da população, lembrando que a instituição recebeu recentemente uma doação de medicamentos e outros insumos por parte do Governo da província para melhorar o tratamento dos doentes.
Em maio, o ministro da Saúde moçambicano defendeu uma ação coletiva e coragem no “combate frontal” à corrupção, desperdício, furto e desvio de fármacos, queixando-se que a situação enfraquece o sistema de distribuição de medicamentos.
“Devemos sair deste conceito de logística farmacêutica, primeiro, com medidas concretas para reduzir o desperdício na cadeia de medicina. Segundo, com ações firmes do combate ao roubo e à corrupção, este que é um problema que temos na cadeira das decisões. Terceiro, com mecanismos claros de responsabilização a todos os níveis”, disse o ministro da Saúde, Ussene Isse.
Em janeiro, as autoridades anunciaram que Moçambique recuperou 5.100 doses dos cerca de 844.860 tratamentos anti-palúdicos desviados em dezembro no armazém central da Machava, província de Maputo, no sul do país.