SAÚDE QUE SE VÊ
LinkedIn

Autarca exige construção de Hospital Central e Universitário em Ponta Delgada

Lusa
02-04-2026 19:49h

O presidente da Câmara de Ponta Delgada prometeu hoje ser “intransigente” na defesa de um hospital Central e Universitário e defendeu um novo porto na ilha, durante o aniversário da cidade açoriana, que distinguiu Jaime Gama.

“Vamos ser intransigentes na defesa da construção de um hospital Central e Universitário em Ponta Delgada, única solução urgente e definitiva para o Hospital do Divino Espírito Santo [HDES]”, afirmou Pedro Nascimento Cabral (PSD), na cerimónia dos 480 anos de elevação de Ponta Delgada a cidade, no Coliseu Micaelense.

O autarca considerou “imperioso construir um hospital moderno”, que “garanta cuidados de excelência”, promova a formação e fixe profissionais, numa altura em que o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) está a projetar uma obra estrutural no HDES, que sofreu um incêndio em maio de 2024.

 “Um hospital desta natureza não beneficiará apenas os habitantes de São Miguel, mas todos os cidadãos dos Açores”, insistiu.

Nascimento Cabral reiterou com “toda a determinação” a melhoria das acessibilidades à freguesia dos Mosteiros (no extremo ocidental do concelho) e exigiu mudanças no transporte marítimo operado pela empresa pública regional Atlânticoline.

“Continuamos a reivindicar uma política consistente e eficaz de transporte marítimo de passageiros. Infelizmente, Ponta Delgada continua a não figurar nas rotas da Atlânticoline, o que limita a mobilidade interilhas”.

Nascimento Cabral defendeu a “projeção de um novo porto” na ilha, numa “localização distinta do atual”, situado no centro de Ponta Delgada.

“O porto atual deverá ser requalificado e a sua marina ampliada, permitindo acolher cruzeiros, iates de médio porte e embarcações de recreio”, salientou.

O autarca alertou que as zonas balneares da Ferraria e Capelas continuam encerradas e garantiu que a câmara “não hesitará em apoiar um verdadeiro plano de combate à pobreza e à exclusão social liderado pelo Governo” Regional.

“Já disponibilizámos ao Governo dos Açores terrenos para a construção de um centro onde os sem-abrigo possam permanecer com segurança e conforto e não desistiremos deste desígnio até à sua conclusão”, realçou.

O presidente da Câmara de Ponta Delgada destacou ainda o “maior esforço municipal de sempre na habitação” com 20 milhões de euros para 102 novas habitações, além do investimento de 6,5 milhões de euros na cultura.

O título de Capital Portuguesa da Cultura em 2026, acrescentou, é uma “oportunidade única” para Ponta Delgada “projetar talento, valorizar os artistas, dinamizar o tecido cultural e reforçar a coesão social”.

O autarca considerou, também, que a celebração dos 50 anos da autonomia dos Açores deve “reconhecer o caminho percorrido”, mas servir igualmente como “momento de reflexão”.

“A autonomia implica responsabilidade e participação cívica ativa”, sublinhou.

Na cerimónia foram distinguidas instituições e personalidades, tendo sido atribuída a “Chave de Honra” ao antigo presidente da Assembleia da República Jaime Gama, que no seu discurso evocou a história e refletiu sobre a identidade do concelho onde nasceu.

“Ponta Delgada cresceu sempre em virtude de uma conjugação extremamente harmoniosa entre forças públicas e iniciativa própria dos seus cidadãos: iniciativa social, económica, agrícola, industrial ou dos serviços”, afirmou.

O também antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, da Defesa e da Administração Interna classificou Ponta Delgada como “capital implícita” dos Açores e lembrou que em 2026 cumprem-se os 600 anos do “povoamento organizado” do arquipélago.

“A ocupação e o projeto para ordenar todo o espaço [dos Açores], afirmá-lo, mantê-lo e fazê-lo perdurar no tempo é uma aventura extraordinária que dignifica os europeus e que dá esse feito um qualificativo de feito inovador e único na história europeia”, afirmou.

MAIS NOTÍCIAS