SAÚDE QUE SE VÊ
Freepik

Alunos de Medicina concordam com Ordem sobre falta de condições para curso arrancar na UTAD

Lusa
02-04-2026 17:23h

A Associação Nacional de Estudantes de Medicina afirmou hoje concordar com a Ordem dos Médicos quanto à falta de condições para que arranque um novo curso de medicina na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

A Ordem dos Médicos salientou hoje, em comunicado, que identificou "um conjunto de insuficiências que suscitam sérias reservas" quanto às condições de início do curso, previsto para o ano letivo 2026/2027.

O ciclo de estudos foi acreditado com condições pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, tendo sido posteriormente autorizada a abertura de 40 vagas no próximo concurso nacional de acesso.

"Concordamos com aquilo que a Ordem dos Médicos refere", reagiu, à Lusa, a presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina, invocando para justificar a posição a atual "instabilidade institucional" da UTAD - associada a um processo eleitoral prolongado e sem desfecho previsível - e o facto de Unidade Local de Saúde (ULS) de Trás-os-Montes e Alto Douro se tratar de uma unidade "menos diferenciada".

Embora reconhecendo que há estudos noutros países que mostram que estagiar em territórios do interior potenciam a permanência dos profissionais na região, Maria Fontão salientou que "um curso de medicina tem de formar um futuro médico para exercer em quaisquer condições".

Na nota remetida hoje, a Ordem dos Médicos apontou a "consolidação do modelo pedagógico exigido para um curso desta natureza" e a ausência de um "envolvimento estruturado e atempado dos médicos da ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro entre as questões que suscitam "dúvidas relevantes", destacando ainda a "instabilidade institucional" da UTAD.

Para "permitir uma avaliação rigorosa destas insuficiências" e identificar as condições que terão de ser asseguradas para garantir um desenvolvimento "sólido, credível e sustentável do curso", a associação profissional pediu uma reunião urgente à Universidade.

"A formação médica exige padrões elevados e condições plenamente asseguradas desde o primeiro dia. Não pode iniciar-se com fragilidades estruturais", frisou o bastonário Carlos Cortes, citado no comunicado.

MAIS NOTÍCIAS