SAÚDE QUE SE VÊ
Freepik

OMS precisa de 13,8 ME para apoiar 400 mil pessoas no norte de Moçambique

Lusa
02-04-2026 13:56h

A Organização Mundial da Saúde (OMS), através do ‘cluster’ de saúde, precisa de 16 milhões de dólares (13,8 milhões de euros) este ano, para apoiar um total de 409.968 pessoas no norte de Moçambique.

De acordo com um boletim do ‘Cluster’ de Saúde de Moçambique, liderado por aquela organização das Nações Unidas, consultado hoje pela Lusa, entre os principais indicadores para o Plano de Resposta Humanitária da organização para o país, espera-se alcançar até o final do ano, um total de 409.968 beneficiários, do total de 488.967 pessoas carenciadas em 18 distritos das províncias de Nampula, Niassa e Cabo Delgado, no norte do país.

De acordo com o documento, para o apoio humanitário na região, espera-se alcançar ao longo do ano 15 distritos em Cabo Delgado, dois distritos de Nampula, nomeadamente, Memba e Erati e Mecula, distrito de Niassa.

Ainda no boletim, que contém dados epidemiológicos da região até fevereiro, alerta que a tendência dos casos de cólera, uma epidemia que afeta o país desde setembro, apresenta diferenças significativas entre aquelas províncias, entre 2025 e início de 2026, com Cabo Delgado a registar um aumento significativo, de zero casos notificados em 2025 para 411 casos este ano.

Em Nampula, adianta, o aumento dos casos da doença foi ainda mais acentuado, de 380 para 1.028 casos, o que sugere uma possível intensificação de fatores de risco como o acesso inadequado a água potável ou o aumento da exposição a fontes contaminadas, e a província de Niassa não registou qualquer caso em nenhum dos dois anos, "o que pode refletir a ausência de transmissão ou eventuais limitações na vigilância".

Os dados mostram redução dos casos de malária e sarampo naquelas províncias, com Cabo Delgado a registar a descida mais acentuada dos casos de malária, de 93.966 para 30.975 casos, seguida de Nampula, que saiu de 182.233 para 82.484 casos, "embora continue a ser a província com maior incidência", e Niassa verificou uma redução menor, "mas consistente", de 40.309 para 37.894. 

"Estes resultados sugerem que as intervenções de controlo da malária, como a distribuição de redes mosquiteiras, a pulverização residual intradomiciliar e a melhoria da gestão de casos, podem ter um efeito positivo", assinala-se no documento.

Sobre o sarampo, a organização observa que diminuíu em todas as províncias neste período, embora em diferentes graus, já que Cabo Delgado saiu de 48 casos para 13, Nampula registou uma descida de 51 para 30 casos e Niassa de 57 para 46 casos.

"Apesar da tendência decrescente [dos casos de sarampo], os números sugerem a necessidade de intensificar as campanhas de imunização e de monitorizar os grupos de indivíduos suscetíveis, particularmente no Niassa", acrescenta-se no boletim.

Moçambique ultrapassou os 8.000 casos de cólera na atual epidemia, em sete meses, com 83 mortos, segundo os dados mais recentes da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP).

No boletim mais recente da DNSP sobre a evolução da doença, com dados de 03 de setembro a 24 de março, dá-se conta de um acumulado de 8.022 casos, 3.545 dos quais registados na província de Nampula, com um total de 39 mortos, e 2.771 em Tete, com 32 óbitos, além de 1.050 em Cabo Delgado, onde foram registados oito mortos.

Moçambique também registou 18 novos casos de sarampo no início de março, elevando a 697 doentes, além de um morto, o total do atual surto, também em cerca de sete meses, segundo dados oficiais consultados pela Lusa em 10 de março.

As províncias mais afetadas são Sofala, no centro do país, que conta um acumulado de 238 casos, Nampula (195), Niassa (115) e Zambézia (102), sendo que continuam a registar novos doentes todas as semanas.

MAIS NOTÍCIAS