A Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação (SPMFR) pediu hoje urgência na criação de um Registo Nacional do AVC (Acidente Vascular Cerebral), que considera essencial para se garantir acompanhamento contínuo dos doentes ao longo da recuperação.
Esta ferramenta permitiria recolher dados epidemiológicos, avaliar a evolução funcional dos doentes e acompanhar o seu percurso após a alta hospitalar, assegurando que continuam com acesso, atempado, aos cuidados de reabilitação necessários, afirma em comunicado a sociedade de médicos especialistas em Medicina Física e de Reabilitação, no âmbito do Dia Nacional do Doente com AVC, que se celebra na terça-feira.
A fase de reabilitação é determinante para a recuperação funcional e para o regresso à vida ativa com qualidade, além de ser um direito consagrado em documentos da Organização Mundial da Saúde.
Apesar disso, a ausência de monitorização estruturada dificulta a garantia de continuidade de cuidados ao longo do tempo, precisa o presidente da SPMFR, Renato Nunes, citado no comunicado.
Um registo nacional do AVC permitiria monitorizar de forma integrada a jornada do doente, identificar lacunas no sistema e contribuir para uma resposta mais eficiente, multidisciplinar e centrada na reabilitação, reforça, lembrando que, em Portugal, três pessoas sofrem um AVC a cada hora e cerca de metade dos sobreviventes ficam com sequelas, muitas vezes incapacitantes.
Os médicos especialistas sublinham, no comunicado, que criar este registo é um passo decisivo para melhorar os resultados em saúde e garantir que nenhum doente fica sem acompanhamento no processo de reabilitação.