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Ébola: Epidemia espalha-se para uma quarta província da RDCongo

Lusa
29-06-2026 16:26h

Pelo menos um caso de transmissão do vírus Ébola foi confirmado numa quarta província na República Democrática do Congo (RDCongo), com toda a parte nordeste do país a ser agora afetada pela epidemia, noticia hoje a AFP citando fontes locais.

Segundo informações obtidas junto do laboratório nacional congolês e de uma fonte de saúde, o caso foi detetado na província de Haut-Uélé, na fronteira com o Sudão do Sul e a República Centro-Africana.

Segundo a agência de notícias France-Presse (AFP) trata-se de uma pessoa que viajou desde Bunia, capital da província vizinha de Ituri.

Ituri é o epicentro da epidemia declarada em 15 de maio que até agora já matou 360 pessoas em 1.274 casos confirmados, disse à AFP uma fonte do Instituto Nacional de Investigação Biomédica (INRB), confirmando assim os últimos dados publicados no domingo pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) da República Democrática do Congo (RDCongo).

O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio em Ituri, uma província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul e epicentro da entretanto declarada epidemia (com 91,4% dos casos e 83,6% das mortes), mas espalhou-se também para as províncias orientais congolesas de Kivu do Norte e Kivu do Sul.

A epidemia também se propagou para o Uganda, onde foram detetados 20 contágios confirmados, incluindo 15 casos considerados importados da RDCongo, entre os quais se registaram duas mortes.

Além disso, o Governo francês confirmou que detetou o primeiro caso positivo de doença pelo vírus Ébola, que se tratava de um médico que regressava de uma missão na RDCongo.

No domingo, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) da República Democrática do Congo (RDCongo) elevou o número de mortes e casos confirmados devido ao vírus do Ébola.

Segundo o último boletim divulgado pelo INSP da RDCongo, com dados recolhidos até 27 de junho, a taxa de letalidade situa-se atualmente nos 28,3%.

Além disso, a taxa de rastreio de contactos atinge os 87,1%, enquanto 178 pessoas conseguiram recuperar-se da doença e um total de 502 doentes estão "em isolamento ou hospitalizados".

O INSP alertou para os "desafios persistentes na atenção precoce ou no acesso a cuidados de saúde", bem como para a deteção de possíveis novos contágios sem que tenha sido identificado de que zona de saúde provêm, o que "poderia indicar uma expansão geográfica que exigiria uma investigação mais aprofundada".

A epidemia corresponde à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera o risco de expansão do surto na África subsaariana como "alto" e a nível global como "baixo".

A OMS estima que o vírus começou a circular em Ituri cerca de dois meses antes de ser declarado o surto e classificou a epidemia em 17 de maio passado como "emergência de saúde pública de importância internacional".

Trata-se já da terceira pior epidemia do vírus Ébola da história registada até hoje.

A epidemia atual está apenas atrás da que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, que deixou cerca de 11.000 mortos e 28.000 infetados; e de outra que afetou o leste da RDCongo entre 2018 e 2020 e que causou 2.299 mortes e 3.481 casos.

O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

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