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Menos de metade das urgências atendidas dentro dos tempos máximos - CFP

Lusa
29-06-2026 12:32h

Menos de metade das pessoas que recorreram às urgências do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em 2025 foram atendidas dentro dos tempos máximos recomendados, o que demonstra as “dificuldades persistentes” dos hospitais em garantir uma resposta atempada.

O alerta consta do relatório do Conselho das Finanças Públicas (CFP) sobre o desempenho do SNS no último ano, que está a ser apresentado hoje em Lisboa, e que concluiu que nos serviços de urgência e no internamento hospitalar persistiram em 2025 “vários constrangimentos estruturais já observados em anos anteriores”.

De acordo com o documento, no último ano apenas 44% dos episódios de urgência cumpriram os tempos máximos de atendimento recomendados pela triagem de Manchester, “evidenciando dificuldades persistentes na capacidade de resposta atempada” desses serviços hospitalares.

Apesar disso, em 2025 verificou-se uma “ligeira melhoria” no cumprimento dos tempos de atendimento, salienta o CFP, ao adiantar que o número de episódios de urgência diminuiu 7,2%, com uma redução da proporção de casos classificados como pouco urgentes – pulseiras azuis, verdes e brancas.

“Esta evolução poderá refletir uma utilização mais adequada destes serviços”, reconhece a entidade independente presidida por Nazaré da Costa Cabral, que avança que a proporção de episódios que resultaram em internamento manteve-se estável em 8%.

Ao nível dos internamentos nos hospitais, o CFP alerta que os indicadores continuaram a revelar “níveis elevados de pressão” sobre a capacidade instalada no serviço público de saúde.

Apesar de a atividade dos chamados hospitais de dia ter aumentado 7,3% em 2025, a taxa média de ocupação de internamentos atingiu “um novo máximo”, situando-se próximo dos 90% das camas disponíveis, acompanhada de um aumento da demora média da hospitalização.

O CFP destaca as “situações particularmente críticas” em várias Unidades Locais de Saúde (ULS) com taxas de ocupação superiores a 100%, caso da do Tâmega e Sousa (136%), de Braga (116%), do Oeste (114%), do Médio Ave (102%) e de Barcelos/Esposende (101%).

“A conjugação de ocupação elevada e demora média crescente é compatível com constrangimentos na alta hospitalar, designadamente a permanência de doentes com alta clínica que aguardam resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados ou de apoio social, limitando a rotação das camas disponíveis”, avisa a entidade que fiscaliza o cumprimento das regras orçamentais e a sustentabilidade das finanças públicas do país.

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