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Ébola: Número de mortos na RDCongo eleva-se para 202 - União Africana

Lusa
18-06-2026 16:23h

O número de mortos por Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) elevou-se para 202, disseram hoje os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC de África), agência de saúde pública da União Africana.

O chefe interino das Divisões de Preparação e Resposta a Emergências da agência, Wessam Mankoula, precisou, numa conferência de imprensa virtual, que os mortos estão incluídos nos 875 casos confirmados da epidemia, declarada na região oriental do país no passado dia 15 de maio.

Mankoula indicou que a taxa de letalidade se situa nos 23% e informou que 67 doentes infetados conseguiram recuperar da doença.

Recordou que a província oriental de Ituri continua a ser o epicentro da epidemia, uma vez que concentra 91% dos casos e 78% das mortes registadas no país, embora o vírus também se tenha alastrado às províncias vizinhas de Kivu do Norte e Kivu do Sul.

Mankoula manifestou a sua preocupação com a situação na província de Kivu do Norte, onde o atual conflito entre o Exército e grupos rebeldes torna o território inacessível para a maioria das equipas de resposta.

"Estamos a observar uma elevada taxa de letalidade em Kivu do Norte e a mais baixa das três províncias no que diz respeito à taxa de rastreio de contactos", declarou.

O número de casos e de mortes faz com que esta seja a terceira pior epidemia de Ébola da história, segundo Mankoula.

O surto atual fica apenas atrás da epidemia que ocorreu na África Ocidental entre 2014 e 2016, que causou 11 mil mortes e 28 mil casos, e de outra que atingiu o leste da RDCongo entre 2018 e 2020, que causou 2.299 mortes e 3.481 casos.

"Estamos no primeiro mês e ocupamos o terceiro lugar no que diz respeito ao número total de casos e mortes registados durante este surto. Desde a semana passada, o número de casos aumentou 38%", acrescentou.

A epidemia alastrou-se ao vizinha Uganda, onde foram detetados 19 casos confirmados, incluindo 14 casos considerados importados da RDCongo, entre os quais se contam duas mortes.

A atual epidemia corresponde à estirpe de Ébola de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera elevado o risco do surto na África Subsariana e baixo à escala global.

A OMS acredita que o vírus começou a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto e classificou a epidemia, no passado dia 17 de maio, como "emergência de saúde pública de importância internacional".

Os CDC de África e a OMS lançaram, no passado dia 05 de junho, um plano de resposta com o objetivo de angariar 518 milhões de dólares (cerca de 447 milhões de euros) para apoiar os países africanos.

O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

O Ébola matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos.

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