A OMS anunciou hoje que aprovou o primeiro tratamento contra a malária para recém-nascidos e bebés até cinco quilogramas, algo particularmente importante para África onde a doença é endémica e nascem cerca de 30 milhões de bebés/ano.
O tratamento, denominado arteméter-lumefantrina, foi pré-qualificado para recém-nascidos e bebés até aos cinco quilogramas pela agência de saúde da ONU, o que significa que cumpre os padrões internacionais de qualidade, segurança e eficácia exigidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Esta pré-qualificação abre as portas à sua compra por parte de redes de saúde públicas e, com isso, ajudará a ampliar o acesso a tratamentos de qualidade para um dos grupos de pacientes mais negligenciados, assinalou a OMS.
Cerca de 30 milhões de bebés nascem todos os anos em zonas de África onde a malária é endémica, mas até agora os que contraíam esta doença potencialmente mortal eram tratados com fórmulas pensadas para crianças de maior idade, o que aumentava o risco de erros de dosagem, efeitos secundários e intoxicações.
Em 2024, registaram-se cerca de 282 milhões de casos de malária e, embora 47 países tenham sido certificados como livres desta doença e outros 37 reportem menos de mil contágios anuais, o progresso global está a estagnar, advertiu a entidade de saúde.
A agência estima, no entanto, que no que vai do século, vacinas, tratamentos e medidas de prevenção tão simples como redes mosquiteiras permitiram evitar cerca de 2.300 milhões de infeções adicionais e salvaram 14 milhões de vidas.
"Acabar com a malária nesta geração não é um sonho, mas uma possibilidade real, mas só se pode conseguir com compromisso político e financeiro sustentado", destacou no comunicado o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.