Pelo menos 60 pessoas morreram por malária este ano na província de Niassa, norte de Moçambique, anunciaram hoje as autoridades locais, que preveem distribuir mais de um milhão de redes mosquiteiras nos próximos dias.
"Os números falam por si, a malária aumentou 30% e a letalidade subiu. Não podemos normalizar a morte por uma doença prevenível", disse hoje a governadora provincial, Elina Massengele, durante o lançamento da Semana Africana de Vacinação e o Dia Mundial de Luta Contra a Malária, em Niassa.
Segundo a responsável, com as cerca de 60 mortes pela doença, o Governo vai agora reforçar a distribuição de redes mosquiteiras, prevendo a entrega de cerca de 1,4 milhões de unidades a partir da próxima semana. Em simultâneo, serão intensificadas as ações de sensibilização, para "garantir que nenhuma criança fique sem vacinação".
Está igualmente prevista a implementação de campanhas de quimio-prevenção sazonal da malária, que deverão abranger mais de 544 mil crianças com menos de dois anos.
"Continuamos a intensificar esforços para garantir o acesso universal à vacinação e a redução do impacto da malária, uma das principais causas de doença e de morte na nossa província", garantiu a governadora de Niassa.
Dados divulgados hoje pelo Conselho Executivo Provincial de Niassa indicam que a província registou em 2025 cerca 884.666 casos positivos de malária, com a letalidade a subir de 2% para 3% em 2024.
Na vacinação, a cobertura atingiu 95%, com 107.071 crianças completamente vacinadas, persistindo o desafio de reduzir as crianças "zero dose", refere-se na nota daquele órgão.
Dados enviados à Lusa em 01 de abril indicam que pelo menos 496 pessoas morreram vítimas de malária em Moçambique em 2025, um aumento de 39% em comparação com 2024, ano em que foram registados 358 óbitos.
Pelo menos 49 pessoas morreram de malária nas primeiras seis semanas de 2026 em Moçambique, entre 1.357.891 infetados, avançaram, em fevereiro, as autoridades de saúde moçambicanas.
De acordo com dados apresentados pelo diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, os casos de malária aumentaram 55% este ano, face ao mesmo período do ano passado, em que foram registados 876.498 casos, mas o número de óbitos baixou 38%, quando em 2025 morreram 79 pessoas.