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Moçambique com mais de 1,3 milhões de casos de malária este ano e 49 mortos

Lusa
19-02-2026 12:19h

Pelo menos 49 pessoas morreram de malária nas primeiras seis semanas deste ano em Moçambique, entre em 1.357.891 infetados, avançaram hoje as autoridades sanitárias, que vão distribuir neste semestre 1,8 milhões de redes mosquiteiras em duas províncias do sul.

De acordo com dados apresentados em conferência de imprensa, hoje, em Maputo, pelo diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, os casos de malária aumentaram 55%, face ao mesmo período do ano passado, em que foram registados 876.498 casos, mas o número de óbitos baixou em 38%, quando em 2025 morreram 79 pessoas.

“Quase todas as nossas províncias registaram um aumento de casos, com a exceção da província de Cabo Delgado, que teve uma redução de casos na ordem de 40%”, disse Quinhas Fernandes.

Moçambique está em plena época chuvosa, com as autoridades sanitárias a adiantarem que, face às inundações de janeiro, criaram 59 postos de saúde nos centros de acomodação, onde trataram 1.200 pessoas com malária.

“Em resposta à situação da emergência, foram distribuídas 26.616 redes mosquiteiras, das quais mais de 17 mil na província de Gaza, cidade de Maputo, com mais de 3.000, e província de Maputo, mais de 4.000 redes distribuídas”, disse o responsável, adiantando que foram ainda pulverizados, nos centros de acomodação, 728 compartimentos.

Neste cenário, as autoridades pretendem antecipar a campanha nacional de distribuição de redes mosquiteiras, prevista para o mês agosto, avançando que se pretende realizar ainda neste semestre nas províncias de Gaza e Inhambane.

O setor da saúde vai ainda realizar pulverizações em seis distritos da província de Maputo, nomeadamente Manhiça, Boane, Magude, Marracuene, Moamba e Matutuine, e 11 da província de Gaza, que são Xai-Xai, Chókwè, Guijá, Bilene, Chigubo, Massingir, Chibuto, Mabalane, Chicualacuala, Mapai e Massangena.

Vai também complementar o controlo vetorial com a aplicação de larvicidas em seis distritos da província de Maputo e 11 de Gaza.

“O Ministério da Saúde apela ao reforço de medidas de prevenção (…), o uso correto das redes mosquiteiras, o que significa dormir debaixo da rede todas as noites e procurar a rede sanitária sempre que tiver febre, diarreia ou vómito e, acima de tudo, evitar qualquer tipo de desinformação”, disse Quinhas Fernandes.

Em 10 de dezembro, o antigo ministro da Saúde moçambicano, Ivo Garrido, criticou a tendência de estagnação dos índices de prevalência e incidência de malária em Moçambique, apontando para falhas na prevenção da doença.

“Estamos a falhar sobretudo na prevenção. Foram (...) apresentados aqui certos mapas com a evolução da prevalência e da incidência da malária ao longo de décadas e o que nós verificamos é que, às vezes, baixa um bocadinho, mas a tendência é praticamente para a estagnação”, disse Ivo Garrido, durante o Fórum Anual de Malária em Nampula, no norte de Moçambique.

Segundo o antigo ministro da Saúde (2005-2010), a incidência e prevalência da malária “praticamente não mexem” em Moçambique desde a proclamação da independência, em 1975, apesar dos esforços do país para travar a doença.

O Ministério da Saúde moçambicano recordou que o país registou cerca de 10,3 milhões de casos de malária, entre janeiro e setembro, contra nove milhões no mesmo período de 2024, um aumento em 14% de novos casos da doença.

Em 2024, pelo menos 358 pessoas morreram vítimas da doença no país africano, que registou mais de 11,5 milhões de casos e cerca de 67 mil internamentos, avançou, em 25 de abril, o Presidente moçambicano, no âmbito do Dia Mundial da Malária, pedindo maior proteção para as crianças.

A vacina contra a malária R21/Matrix-M, a segunda para crianças, desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, já está em utilização em Moçambique, seguindo os conselhos do Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização (SAGE) e do Grupo Consultivo de Políticas sobre Malária (MPAG).

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