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ULS Trás-os-Montes ambiciona intervenções cardíacas mas sem esvaziar centros de referência

LUSA
19-02-2026 18:21h

O diretor do serviço de cardiologia da ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD) admitiu hoje que é ambição desta unidade realizar intervenções cardíacas percutâneas, mas garantiu não estar em causa o esvaziamento dos centros de cirurgia cardíaca existentes.

“Os doentes com estas patologias têm vindo a aumentar e vão continuar a aumentar nos próximos tempos. Porque são patologias que, a maioria, surgem com o envelhecimento da população. Muitas intervenções podem agora ser feitas por via percutânea, isto é, sem cirurgia, como quem faz um cateterismo. Estou a falar da implantação de próteses valvulares que é o problema que surge mais frequentemente agora com a idade”, disse José Ilídio.

Em declarações à agência Lusa, o diretor do serviço de cardiologia da ULSTMAD considerou que “salvaguardados os requisitos técnicos necessários, faria sentido ter um centro com a capacidade para este tipo intervenções [percutâneas] em Vila Real”, concelho sede desta unidade de saúde.

“Não é um esvaziamento de serviços dos outros dois centros de referência (…). Nós temos uma resposta muito boa do serviço de Cirurgia Cardíaca de Vila Nova de Gaia, que é o nosso serviço de referência. São excecionais, respondem sempre que é preciso, mas é inevitável que haja doentes à espera”, referiu.

Esta reação surge depois de hoje o Diário de Notícias (DN) ter noticiado que quatro hospitais do Norte com serviços de cardiologia subscrevem uma carta sobre o panorama na cirurgia cardíaca na região, missiva que será dirigida à ministra da Saúde, na qual alertam para a lista de espera de doentes com problemas cardíacos a necessitar de cirurgia ou de implantação da válvula da aórtica.

De acordo com o jornal, subscreveram esta carta os serviços de cardiologia da ULS Santo António, no Porto, a do Tâmega e Sousa, que abrange 11 municípios, a ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro, com sede em Vila Real, e a que gere o Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos.

À Lusa, José Ilídio confirmou que subscreveu a carta, adjetivando-a de “um alerta à tutela” porque “não tem havido uma diminuição da resposta dentro do SNS, mas há mais doentes para intervenção”, insistiu.

“Obviamente que, embora o serviço de cardiologia de Gaia, que é um serviço excecional, responda quando pode e como pode, não tem uma resposta total porque o aumento de doentes candidatos para é superior à capacidade de resposta. O serviço de cardiologia de Vila Real é o serviço de referência para uma área geográfica enorme. São 400.000 habitantes, uma grande percentagem envelhecidos, e portanto com uma prevalência muito grande destas doenças. O número justifica e permite tratamento com qualidade ‘in situ’ a esses doentes”, apontou.

Para José Ilídio é também “óbvio” que “só quem não conhece o interior é que pode pensar que em causa estão doentes com muita dificuldade de acesso”.

“E a dificuldade de acesso, às vezes, de Vila Real para o Porto, para o Litoral, para uma situação que exige avaliações pré-avaliações pró-seguimento, é muito mais complicado”, concluiu o diretor da unidade transmontana.

Atualmente, doentes com estas características são referenciados para os dois centros de referência desta área: Unidade Local de Saúde (ULS) São João, no Porto, e ULS de Vila Nova de Gaia/Espinho.

À ULS Santo António é atribuída a ambição de vir a criar um centro de referência desta área, enquanto o serviço de cardiologia da ULS Tâmega e Sousa já esclareceu que não tem essa pretensão mas subscreve a carta para promover uma reflexão global sobre o tema.

Também à Lusa, o diretor do serviço de cirurgia cardiotorácica da ULS Gaia/Espinho alertou hoje que a abertura de um novo centro de cirurgia cardíaca na região Norte, nomeadamente na ULS Santo António, no Porto, “amputaria capacidade aos centros existentes”.

A agência Lusa solicitou esclarecimentos a outros serviços de cardiologia de ULS da região Norte, bem como à Direção-Executiva do SNS e aguarda resposta.

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