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Casos de sarampo caíram 75% na Europa e na Ásia Central em 2025

Lusa
11-02-2026 12:38h

Os casos de sarampo na Europa e na Ásia Central caíram 75% em 2025 comparativamente ao ano anterior, segundo dados hoje divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Unicef, que alertam que o risco de surtos persiste.

Em 2025, os países do continente europeu e da Ásia Central notificaram 33.998 casos da doença, contra 127.412 registados em 2024, referem as organizações internacionais, ressalvando que os dados reportados por 53 países são preliminares.

Segundo as organizações, a tendência geral de queda é consequência das medidas de controlo da epidemia e da diminuição gradual do número de pessoas com probabilidade de serem infetadas pelo sarampo.

No entanto, alertam, muitos casos poderiam ter sido evitados se a cobertura vacinal sistemática tivesse sido maior nas comunidades locais e se a resposta aos surtos tivesse sido mais rápida.

“Embora os casos tenham diminuído, as condições que provocaram o ressurgimento desta doença mortal nos últimos anos persistem e devem ser abordadas”, defendeu a diretora regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para a Europa e Ásia Central, Regina De Dominicis.

Este contexto está relacionado com o facto de, recentemente, o Comité Regional Europeu de Verificação para a Eliminação do Sarampo e da Rubéola, um organismo de peritos independentes da OMS, ter notificado o restabelecimento da transmissão endémica do sarampo em Espanha, perdendo o estatuto que detinha desde 2016 de país considerado livre da doença.

“Enquanto todas as crianças não forem vacinadas e a relutância em vacinar-se, alimentada pela disseminação de desinformação, não for abordada, as crianças continuarão em risco de morte ou de sofrer complicações por sarampo ou outras doenças preveníveis por vacinação”, avisou Regina de Dominicis.

Em 2025, o número de casos continuou a ser superior aos números da maioria dos anos desde 2000, e alguns países notificaram mais casos do que em 2024. Além disso, em 2026, continuam a ser detetados casos de sarampo na Europa.

“Nos últimos três anos, mais de 200.000 pessoas contraíram sarampo na nossa região”, afirmou, por sua vez, o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, alertando que “a menos que todas as comunidades alcancem uma cobertura vacinal de 95%, colmatem as lacunas de imunidade em todas as idades, reforcem a vigilância da doença e garantam uma resposta atempada aos surtos, este vírus altamente contagioso continuará a propagar-se”.

Para Hans Kluge, a eliminação do sarampo “é essencial para a segurança sanitária nacional e regional”.

No entanto, o Comité Regional Europeu de Verificação para a Eliminação do Sarampo e da Rubéola destacou que o número de países com transmissão endémica contínua ou restabelecida do sarampo aumentou para 19 em 2024, contra 12 no ano anterior, o que classificou como o retrocesso mais significativo na eliminação do sarampo na região nos últimos anos.

Portugal registou 21 casos confirmados em 2025, cerca de metade dos quais em março, com a taxa de vacinação a atingir os 99% na primeira dose e os 96% na segunda, elevadas percentagens que têm sido constantes nos últimos anos, segundo dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, sigla em inglês).

Estes números estão em linha com os da Direção-Geral da Saúde (DGS), que em dezembro salientou que Portugal tinha “uma cobertura vacinal para o sarampo elevada”, mas reconhecendo que a introdução de casos importados podia continuar a acontecer, sem esperar, porém, surtos de grande dimensão.

A OMS e a Unicef lembram que o sarampo é aproximadamente 12 vezes mais contagioso do que a gripe e que, além da hospitalização e da morte, pode causar complicações de saúde debilitantes a longo prazo, sublinhando que duas doses da vacina proporcionam até 97% de proteção vitalícia contra esta doença.

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