Uma equipa de 21 psicólogos vai percorrer todas as freguesias do concelho de Leiria, a partir de quinta-feira, para ajudar utentes após o mau tempo, depois de ter iniciado na terça-feira um programa de apoio psicológico em escolas.
“Os eventuais traumas da experiência vivida na noite de 28 de janeiro, com a passagem da depressão Kristin, e as diversas situações com que as pessoas se deparam neste período de recuperação, nomeadamente a reparação de casas e a falta de eletricidade, justificam esta medida, designada de Cuidar + Perto”, referiu a autarquia, na nota em que divulgou a iniciativa.
A medida dá acesso a um serviço de apoio psicológico “num momento em que se verifica a necessidade de promover a estabilidade emocional e de identificar precocemente situações de sofrimento psíquico, risco ou vulnerabilidade social”.
O projeto, que tem o objetivo de ser “de longa duração”, resulta de uma parceria entre o município, a InPulsar, a Mulher Séc. XXI, a Rede Europeia Anti-Pobreza e a Ordem dos Psicólogos.
Esta ação soma-se à instalação de um gabinete de apoio psicológico na Câmara Municipal e ao "Abraços que Cuidam", um programa direcionado para alunos de escolas do concelho.
O "Abraços que Cuidam", iniciado na terça-feira pela autarquia, leva uma equipa de apoio psicológico a estabelecimentos do pré-escolar e do primeiro ciclo do concelho, alcançando um total de 118 turmas.
“A ação tem como grande objetivo ajudar as crianças a identificar e a gerir as emoções depois da depressão Kristin, bem como a descobrir sentimentos mais positivos e a aprender estratégias simples de autocontrolo para este tipo de situações”, explicou o município.
A equipa é composta por 12 técnicos das áreas de psicologia, terapia da fala, mediação socioeducativa e nutrição.
Segundo a mesma fonte, o projeto é composto por cinco etapas, iniciado com um acolhimento, com reforço do sentimento de proteção, seguido de uma conversa orientada sobre a depressão e as emoções vividas e a criação de uma roda das emoções com partilha de sentimentos.
Para finalizar, é feito um exercício de regulação emocional através da respiração calma e um desenho livre para expressão das emoções.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.