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ONG regista mais de 400 casos de fenda labial no norte de Moçambique desde 2021

Lusa
11-02-2026 11:44h

A Organização Não-Governamental (ONG) Operation Smile avançou hoje que já registou pelo menos 400 casos de fenda labial desde 2021 na província de Nampula, no norte do país, arrancando com campanhas de cirurgias para resolver as malformações.

Os dados foram avançados à Lusa pela coordenadora de programa da ONG americana Operation Smile, que apoia o Hospital Central de Nampula na realização de cirurgias contra este tipo de malformação através de médicos voluntários da organização, tendo adiantado que o objetivo é devolver sorriso às pessoas.

“A nossa intenção é continuar a apoiar o Hospital Central de Nampula com mais campanhas cirúrgicas ainda este ano, garantindo não só as cirurgias, mas também a formação do pessoal médico local segundo padrões internacionais”, disse coordenadora de programa, Nilza Ferrão.

A organização iniciou esta semana uma nova campanha de cirurgias reconstrutivas destinadas a crianças e adolescentes portadores de fendas orofaciais, com o cirurgião oral e maxilofacial do Hospital Central de Nampula, António Alberto, a explicar que a fenda labial e palatina são deformações congénitas que afetam o lábio ou o céu-da-boca, sendo a cirurgia o único meio eficaz para corrigir o problema e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

“Nesta campanha foram triados 25 pacientes, mas o programa cirúrgico prevê a intervenção de pelo menos 15, com idades entre 0 e 17 anos”, explicou o especialista, acrescentando que a recuperação dos pacientes ocorre, em média, entre cinco a sete dias após a cirurgia.

A Lusa ouviu Maria Custódio, de 20 anos, que é mãe de uma criança de um ano e meio que nasceu com fenda labial. A jovem relatou que ela e a filha têm sido alvo de discriminação na comunidade devido a este problema, aguardando pelo resultado da cirurgia a que a menor vai ser submetida.

“Tenho sofrido muito preconceito na comunidade, por isso aguardo ansiosamente que a minha filha saia bem da cirurgia”, disse à Lusa, emocionada, minutos após a entrada da criança no bloco operatório.

Já a psicóloga clínica do Hospital Central de Nampula, Olga Pedro, que acompanha os pacientes, apela à sociedade para uma maior aceitação.

“Ninguém escolhe nascer ou ter um filho com esta condição”, disse, defendendo que o apoio familiar é essencial para o bem-estar emocional das crianças.

A Operation Smile é uma organização médica Não-Governamental fundada na Virgínia, Estados Unidos da América. A instituição trabalha com crianças que nasceram com lábio leporino e fenda palatina oferecendo cuidados médicos como a cirurgia reparadora, em todo o mundo.

Até agora, a ONG realizou cirurgias em mais de 240 mil crianças, jovens e adultos de mais de 60 países, sendo que em Moçambique trabalha nas províncias de Nampula e Cabo Delgado, no norte do país.

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