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Covid-19: Apelo a “plano Marshall” divide coligação do Governo holandês

31-03-2020 18:25h

Os líderes de dois dos quatro partidos da coligação do Governo holandês pediram hoje ajuda europeia para os países do sul da Europa atingidos pelo coronavírus e sublinharam a necessidade de fazê-lo com um “plano Marshall”.

No entanto, esta posição defendida pelos Democratas 66 (D66) e a União Cristã (CU) confrontou-se com a oposição ao plano manifestada pelos liberais e democratas-cristãos.

“Necessitamos de um novo ‘plano Marshall’ para o sul da Europa porque estão devastados. A Itália é um autêntico drama. Essa terra está em ruínas. No que me diz respeito, a primeira mensagem seria: vamos ajudar”, sublinhou o líder da CU, Gert-Jan Segers, em resposta à linha dura mantida pelo executivo.

O líder do D66 (centro-direita), Rob Jetten, também se distanciou do Governo e afirmou, em mensagem no Twitter, que a Holanda “se tornou rica devido à União Europeia”.

Atualmente “estão em causa postos de trabalho e salários em toda a Europa, não devemos deixar que os nossos amigos se afoguem. Apenas juntos poderemos sair desta situação”, sustentou.

Estes dois partidos integram a coligação governamental desde 2017 mas os seus líderes mantêm-se à margem após recusarem postos ministeriais num Governo que também inclui o Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD) do primeiro-ministro Mark Rute e o Apelo cristão-democrata (CDA), a quem pertence o titular das Finanças, Wopke Hoekstra.

Apesar de continuarem a rejeitar a emissão de títulos de dívida europeus (os chamados ‘eurobonds’ ou ‘coronabonds’) e o acesso a fundos do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM), Hoekstra reconheceu hoje “não ter demonstrado suficiente empatia” com os países da Europa do sul e lamentou não se ter “exprimido melhor” na semana passada porque o Governo holandês, assegurou, pretende “ajudar” os Estados mais afetados pelo coronavírus.

O chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, à semelhança do seu homólogo português, António Costa, apelou à União Europeia que surja “unida” na resposta económica e social face à pandemia do covid-19.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 791 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 38 mil.

Dos casos de infeção, pelo menos 163 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com quase 439 mil infetados e mais de 27.500 mortos, é aquele onde se regista atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 11.591 mortos em 101.739 casos confirmados até segunda-feira.

A Espanha é o segundo país com maior número de mortes, registando 8.189, entre 94.417 casos de infeção confirmados até hoje, enquanto os Estados Unidos são o que tem maior número de infetados (164.610).

Além de Itália, Espanha e China, aos países mais afetados são os Estados Unidos, com 3.170 mortes (164.610 casos), a França, com 3.024 mortes (44.450 casos), e o Irão, com 2.898 mortes reportadas até hoje (41.495 casos).

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