O líder do hospital público de Macau previu hoje que deverá haver mais de três mil nascimentos em 2026, uma subida de pelo menos 4,5%, na região com a mais baixa natalidade do mundo.
De acordo com o canal em chinês da emissora pública TDM Macau, o diretor substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário disse estar confiante em que os jovens casais do território irão ter mais filhos.
Após visitar os primeiros bebés nascidos no Ano Lunar do Cavalo de Fogo, que começou hoje, Tai Wa Hou defendeu que o Governo lançou "serviços de alta qualidade" para promover a natalidade.
Em julho, o parlamento local aprovou uma revisão do orçamento para reforçar os apoios sociais, incluindo a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas (cerca de 5.700 euros), para as crianças até aos três anos.
O Governo lançou também uma consulta pública sobre o aumento, no setor privado, da licença de maternidade, de 70 para 90 dias, e das férias anuais, de seis para 12 dias para "obter um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar".
A mãe da primeira bebé do ano, nascida às 00:11 no Conde de São Januário, de apelido Fung, disse à TDM ter planos para ter mais filhos e esperar que a recém-nascida cresca com "muitos irmãos".
A estimativa feita hoje por Tai Wa Hou representa, ainda assim, uma queda em comparação com a prevista feita há praticamente um ano, também no primeiro dia do Ano Novo Lunar.
Em 29 de janeiro de 2025, o subdiretor dos Serviços de Saúde de Macau, Kuok Cheong U, previu que o ano iria terminar com menos de 3.500 nascimentos.
Em 01 de janeiro passado, Tai Wa Hou revelou que Macau registou 2.871 recém-nascidos em 2025, o menor número em quase 50 anos, desde 1978, quando a cidade, então sob administração portuguesa, registou 2.407 recém-nascidos.
No entanto, enquanto em 1978 Macau tinha menos de 249 mil habitantes, no final de setembro de 2024 a região semiautónoma chinesa já tinha uma população de quase 687 mil.
O número de nascimentos caiu, assim, pelo sexto ano consecutivo e está cada vez mais longe do máximo histórico de 7.913, fixado em 1988.
Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais.
Este valor é ainda mais baixo do que a estimativa feita num relatório divulgado em julho pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA, na sigla em inglês): 0,68 nascimentos por mulher.
Apesar de mais otimista, a estimativa da UNDESA já indicava que Macau teria tido em 2024 a mais baixa natalidade do mundo, a uma grande distância da segunda jurisdição na lista, Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher.