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Mau Tempo: Gráfica de Pombal resistiu ao covid mas não sabe se aguenta embate da Kristin

Lusa
17-02-2026 10:20h

Uma gráfica no interior do concelho de Pombal estava ainda a pagar o empréstimo dos tempos da covid-19, quando levou com o embate da depressão Kristin, que lhe arrancou a cobertura. Desta, vez não se sabe se recupera.

Já passaram mais de duas semanas da passagem da depressão, mas Bruno Marques continua a olhar com alguma incredulidade para a cobertura da gráfica Quilate, arrancada da estrutura pelo vento como “se fosse papel” e que acabou retorcida e amassada naquele que era o parque de estacionamento da empresa.

“O telhado de um edifício que tem 40 metros por 20 metros foi arrancado e pronto. Foi tudo. Até levou alguns dos tijolos da própria estrutura. É impressionante”, afirma à agência Lusa o responsável da empresa, fundada há mais de 30 anos pelo pai.

Dentro da gráfica, veem-se gotas gordas de água por todo o teto e ouve-se constantemente a água a cair no chão e nos plásticos que protegem os bens mais preciosos daquela casa – as impressoras digitais e ‘offset’.

As encomendas ficaram estragadas e resta saber como ficarão as máquinas – uma delas nova custa 250 mil euros, vincou Bruno Marques.

“Não sabemos quais é que estão estragadas, que estas máquinas têm muita sensibilidade à humidade e água está a cair aqui dentro há 15 dias”, disse.

Até lá, terá de vir nova cobertura, bom tempo, capacidade para desumidificar toda a gráfica e ir testando, “aos pouquinhos”, as máquinas e os disjuntores - trabalho que Bruno imagina que poderá demorar mais de um mês.

“Só aí teremos noção do impacto real”, conta.

Entretanto, os cinco trabalhadores da empresa estão em layoff, as encomendas não têm forma de ser asseguradas e adensa-se a incerteza sobre o futuro da empresa.

“É uma dor de alma”, diz Bruno, enquanto olha para uma das máquinas onde parece que a humidade “já está a chegar às partes elétricas”.

O empresário acredita que terá pelo menos 500 mil euros de prejuízo – “se não for mais” – e torce o nariz àquilo que o Governo chama de apoios, mas que Bruno Marques vinca que são um empréstimo.

“A grande questão é a falta de sensibilidade das instituições a quem acontece uma coisa destas. Eu tenho noção que o Estado não consegue ajudar todos, mas aquilo que neste momento existe não são apoios – são financiamentos, empréstimos”, vinca.

O responsável da gráfica recorda que ainda lhe faltam quatro meses para pagar o empréstimo que contraiu para fazer face aos desafios da pandemia, no valor de 50 mil euros.

“E agora continuamos nisto? Pedimos mais 100 mil euros? Sempre a endividar?”, questiona o empresário, que ainda aguarda pela peritagem da seguradora, que não cobre as máquinas da gráfica.

Ao seu lado, o pai, Rodrigues Marques, que fundou a gráfica, não esconde o rosto cabisbaixo, enquanto repete: “Não devia ter aberto isto”.

“A gente cria riqueza através do nosso trabalho e dos empregados e depois vem a natureza e faz o que faz”, nota, sublinhando que, para ele, é difícil imaginar sequer um futuro.

Bruno tenta manter-se um pouco mais otimista que o pai, mas admite o acordo entre os dois: “Combinámos ver como estão as máquinas. Não vamos fazer um investimento de 250 mil euros para pôr uma máquina nova com apoios que não são apoios”.

Por ali, vinca, não é certo que se continue, que é mais difícil de começar “não do zero, mas do menos cem”.

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