O número de nascimentos em Macau caiu 4,4% nos primeiros nove meses do ano, foi hoje anunciado, depois da região ter registado em 2025 o menor número de recém-nascidos em quase meio século.
De acordo com dados oficiais divulgados pela Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), 2.037 bebés nasceram em Macau entre janeiro e setembro, menos 93 do que no mesmo período do ano passado.
O território registou, em todo o ano de 2025, 2.871 recém-nascidos, o menor número de nascimentos desde 1978, quando a cidade, então ainda sob administração portuguesa, registou 2.407 recém-nascidos.
No entanto, enquanto em 1978 Macau tinha menos de 249 mil habitantes, no final de setembro passado a região semiautónoma chinesa já tinha uma população de cerca de 688 mil pessoas.
Além do número de nascimentos, que diminuiu em 2025 pelo sexto ano consecutivo, também a taxa de fecundidade, um indicador importante para prever a evolução da população, continua a cair em Macau.
Macau terminou 2025 com 0,47 nascimentos por cada mulher entre 15 e 49 anos, menos 0,11 do que no ano anterior.
A fecundidade no território tem vindo a cair consecutivamente desde há 11 anos para o valor mais baixo desde que a DSEC começou a calcular esta taxa, em 2001, e muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1).
De acordo com estimativas do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, a região terá tido em 2024 a mais baixa taxa de fecundidade do mundo, seguida de Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher.
Apesar de haver menos nascimentos, a população de Macau aumentou em 1.400 no terceiro trimestre de 2026, sobretudo devido à imigração, com a entrada de 639 pessoas vindas da China continental e a concessão de residência a mais 290 estrangeiros.
A população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em 2023, com o Governo de Macau a prever uma "superbaixa taxa de natalidade" ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041.
Os dados divulgados hoje mostram ainda que Macau registou uma queda nas mortes por suicídio nos primeiros nove meses do ano, depois da região chinesa ter terminado 2025 com um número recorde de suicídios.
De acordo com os dados oficiais divulgados pela DSEC, houve pelo menos 58 mortes por suicídio entre janeiro e setembro, menos 14 do que no mesmo período do ano passado.
A DSEC sublinhou, no entanto, que este dado foi compilado com base em certificados médicos de óbitos e não inclui o número de mortes julgadas mais tarde, em conjunto pelos médicos-legistas e pela Polícia Judiciária, como suicídio.
Macau registou 91 casos de suicídio em 2025, mais cinco do que no ano anterior e o número mais elevado desde que começaram os registos, em 1990, antes da transição de administração de Portugal para a China.