O secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, manifestou hoje preocupação com a saúde do Papa Leão XIV após a cirurgia para retirar um nódulo cancerígeno no pulmão, mas disse confiar nos médicos.
"Continuo preocupado, porque estou verdadeiramente, enormemente triste com o que aconteceu", afirmou o cardeal à margem de uma iniciativa promovida pela embaixada do Iraque junto do Vaticano.
"Mas confio nas informações fornecidas pelos boletins médicos e, por isso, tenho esperança de que esta situação possa ser resolvida o mais rapidamente possível", acrescentou o chefe da diplomacia do Vaticano.
Leão XIV, de 71 anos, foi operado na terça-feira no Hospital Gemelli, em Roma, para retirar um nódulo cancerígeno, aguardando-se agora os resultados de exames para determinar se o cancro se disseminou.
O pontífice norte-americano está a recuperar e já retomou algum trabalho no quarto do hospital.
Parolin admitiu que Leão XIV poderá presidir à oração do Angelus no domingo a partir do Hospital Gemelli, caso a recuperação continue favorável.
"Dependerá um pouco de como evoluir a recuperação. Parece que lhe foram dados cinco dias, por isso, se estiver melhor no final da semana, penso que fará o Angelus a partir do Gemelli", explicou Parolin.
O secretário de Estado admitiu também que o atual diagnóstico poderá afetar a próxima viagem apostólica do Papa Leão XIV, prevista para a América Latina entre 06 e 17 de novembro.
O programa prevê visitas a 10 cidades no Uruguai, Argentina e Peru, país onde Leão XIV desenvolveu grande parte da sua atividade missionária.
Parolin afirmou que caberá aos médicos determinar se o Papa estará em condições de realizar uma viagem que classificou como "longa e exigente".
"Temos de esperar que saia do hospital e ver o que dizem os médicos sobre se está em condições de viajar", disse Parolin.
O diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Matteo Bruni, recordou que o Papa manifestou claramente a intenção de realizar a deslocação.
"Ouvimos as palavras do Papa, a sua intenção e o seu desejo de ir. Veremos", afirmou Bruni.
Parolin elogiou ainda a forma como Leão XIV comunicou publicamente que iria ser submetido a uma intervenção cirúrgica, considerando que evitou especulações sobre o seu estado de saúde.
O secretário de Estado não excluiu que o pontífice possa adaptar a forma como exerce as funções caso a evolução clínica o torne necessário, mas considerou prematuro antecipar qualquer alteração.
"Com base em todos estes fatores, o Papa poderá então reformular o seu pontificado, se realmente for necessário reformulá-lo", acrescentou Parolin.
O Papa foi operado na terça-feira e o Vaticano informou, no dia anterior, que todas as audiências de Leão XIV estão canceladas até ao próximo dia 20 de outubro.