A República Democrática do Congo continua a ser afetada pela cólera e foram registados mais de 125.000 casos suspeitos e 3.644 mortes suspeitas entre janeiro de 2025 e setembro de 2026, alertou a OMS.
Numa altura em que o país combate uma epidemia de Ébola no leste, a cólera está a ganhar terreno em várias regiões, favorecida pela falta de acesso a água potável e a infraestruturas de saneamento, explicou a Organização Mundial da Saúde (OMS) num comunicado hoje divulgado.
Esta doença diarreica aguda é causada pela ingestão de alimentos ou água contaminados com a bactéria 'vibrio cholerae', que se associa principalmente a um saneamento deficiente e a um acesso limitado a água potável.
Embora se trate de uma doença tratável que afeta tanto crianças como adultos, a cólera pode chegar a ser mortal se não for tratada a tempo.
Desde o início de 2026, foram notificados mais de 51.412 casos suspeitos de cólera, incluindo 1.487 mortes, em 21 províncias, segundo a OMS.
Apenas na semana de 21 a 28 de setembro deste ano, as autoridades de saúde recensearam 2.932 casos suspeitos e 86 mortes, em comparação com 2.506 casos e 62 mortes na semana anterior. O número de casos aumentou assim 17% numa semana, enquanto a taxa de mortalidade semanal se fixou em 2,9%, referiu.
De acordo com a OMS, as províncias do Kivu do Sul, Kivu do Norte e Haut-Katanga concentram quase 60% dos casos suspeitos notificados.
As operações de resposta enfrentam dificuldades de segurança e logísticas. No leste do país, a insegurança restringe o acesso das equipas médicas a certas zonas, nomeadamente a Kibua e Masisi.
Por sua vez, o isolamento de aldeias em relação às estruturas de saúde também atrasa o atendimento dos doentes, aumentando o risco de morte, considerou.
Além disso, para a OMS, as condições ambientais agravam a situação.
"O recurso a água de poços e as chuvas, que podem arrastar águas contaminadas para as fontes utilizadas pelas famílias, favorecem a transmissão da doença", alertou.
Para reduzir os riscos de contaminação, as equipas de resposta preparam a instalação de quatro locais de cloração da água - processo de adição de compostos à base de cloro com o objetivo de eliminar microrganismos como bactérias e vírus - nas zonas mais afetadas do Kivu do Norte.
Para combater a epidemia, a RDCongo e a sua vizinha República do Congo vão fazer uma campanha de vacinação conjunta fronteiriça.
Além da cólera, a RDCongo, nação vizinha de Angola, declarou em 15 de maio o seu 17.º episódio de Ébola - o segundo mais mortífero da História a nível global -, que causou 9.144 casos confirmados, incluindo 4.410 mortos, segundo o mais recente balanço do Governo congolês.
A estirpe de Bundibugyo, causadora da atual epidemia, carece de tratamentos médicos específicos, embora a OMS esteja a trabalhar em duas vacinas que iniciaram ensaios em humanos e que, até agora, se revelaram seguras, mas o seu desenvolvimento poderá demorar vários meses.
O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.