Os trabalhadores das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) iniciaram hoje uma campanha nacional por “salários dignos, valorização das carreiras” e contra a “precariedade laboral” no setor, estando “em cima da mesa” a possibilidade de avançarem com uma greve.
Em declarações aos jornalistas à margem de um protesto que juntou esta manhã cerca de 50 trabalhadores à porta do centro social de Aldoar, a responsável pelo Sindicato de Comércio e Escritórios e Serviços de Portugal (SCESP) explicou que a campanha que arrancou hoje faz parte de uma "linha de luta para pressionar e alcançar melhores condições de trabalho" para aqueles trabalhadores.
"Estes trabalhadores são colocados no salário mínimo ou pouco mais do que isso. Já basta. Isto tem de ser um problema não só destes trabalhadores, mas da comunidade em geral, porque efetivamente desconhece-se a realidade que estes trabalhadores trabalham e como trabalham", salientou Ana Paula Rodrigues durante o protesto em que participou também o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), Lino Maia.
Segundo a sindicalista, "são condições de grande precariedade, muitas vezes com os serviços nos mínimos dos mínimos, sobrecarregados, em condições pouco dignificantes".
"O que nós queremos é a valorização da carreira destes trabalhadores e o aumento significativo também face àquilo que é a conjuntura atual política do país. Estamos a falar de todos os tipos de trabalhadores, desde os trabalhadores de apoio, aos técnicos, aos licenciados, todos eles que estão inseridos na tabela estão muito aproximados entre níveis, ou seja, não há valorização e a tabela tende a compactar e a aproximar-se cada vez mais do salário mínimo", explicou.
Ana Paula Rodrigues referiu que os trabalhadores "vão estar nas ruas a divulgar e a sensibilizar a população e a comunidade para esta realidade (…) e esta campanha culmina no dia 07 de novembro com uma marcha nacional, que vai arrancar no Porto"
Questionada sobre que ações de luta estão a ser equacionadas, a sindicalista avisou que "a greve está em cima da mesa, aliás, o SCESP vai emitir um pré-aviso de greve precisamente para dia 07".
Também em declarações aos jornalistas, Lino Maia admitiu que aqueles trabalhadores "são mal pagos", que há "discrepâncias e injustiças", mas que o setor social "não é prioridade" para o Governo.
"Eu não queria atacar o Governo, não gosto de fazer. Há sempre uma boa compreensão, mas depois há uma realidade. É que neste país a proteção social não é, de facto, uma obrigação do Estado. Na Constituição da República há dois direitos universais ou três, educação, saúde e segurança social, mas a segurança social é contributiva (…). Não é uma prioridade", salientou.
Lino Maia explicou que as dificuldades das IPSS são conhecidas. "Sistematicamente, ano após ano, há mais de 50% das instituições que chegam [ao final do ano] com resultados negativos".
"Os financiamentos das instituições são os acordos de cooperação, que, em média, representam 38%, 40% dos custos e as comparticipações dos utentes são em média 33%, dá 73%, em média. Portanto, há sistematicamente uma falta de 23% para suportar os custos", apontou.