A presidente da Entidade Reguladora do Setor das Águas e dos Resíduos (ERSAR), Vera Eiró, congratulou-se hoje com os 11 anos “de sucesso” na qualidade da água em Portugal que chega “à esmagadora maioria da população”.
Num comentário ao Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos (RASARP, volume 2) deste ano, que incide sobre 2025, a responsável apontou que pelo 11.º ano consecutivo o indicador de qualidade da água é de 99%, um valor que junta o cumprimento do número de análises e o resultado dessas análises.
Tal indica, disse, que a quase totalidade da população tem água de qualidade na torneira.
“Estamos a falar em 11 milhões de consumidores e dentro destes poderemos ter 40 ou 50 mil, 30 mil, que nalguns momentos podem ter água da torneira” que tem incumprimentos, “que devem ser seguidos”.
Vera Eiró destacou que a monitorização, acompanhamento e supervisão de todo o sistema implica várias entidades, começando pelo consumidor, que deve sinalizar quando encontra algum problema, passando pelas entidades gestoras ou autoridades de saúde.
“É um sistema de controlo complexo que depois nos dá acesso a estes resultados, que nos devem orgulhar, enquanto país”.
Mas, acrescentou, se há concelhos com 100% de água segura na torneira outros estão abaixo dos 99%, situações que são acompanhadas “de forma diária”, até porque atingir os valores como os atuais de sucesso “implica um trabalho diário e constante”.
Vera Eiró notou que há dois municípios apenas sinalizados por água com menos qualidade, de um total de 278, e que num deles o problema é apenas administrativo.
Questionada pela Lusa sobre se as cheias do início do ano poderão ter influenciado a qualidade da água, refletindo-se no relatório a ser divulgado no próximo ano, Vera Eiró disse que as entidades gestoras afetadas investiram na monitorização e que os sistemas de tratamento foram afinados.
“Não temos nota de mais incumprimentos por causa das cheias. Sempre que houve água na torneira ela cumpria os parâmetros”, afiançou.
Essa “capacidade de reagir” e adaptação das entidades gestoras também se verificou nos casos de escassez, levando a um tratamento mais difícil e exigente. “A escassez afeta a qualidade da água bruta, não a qualidade da água da torneira”, garantiu.