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Projeto financiou tratamentos dentários a 10 doentes com cancro no Alto Tâmega

Lusa
30-09-2026 11:13h

O projeto “Sorrir para a vida" ajudou a financiar tratamentos dentários a 10 doentes oncológicos carenciados dos concelhos do Alto Tâmega e Barroso desde que foi implementado pelo Rotary Club de Chaves em 2024.

Ilídia Rodrigues, médica-dentista e membro do Rotary, disse hoje à agência Lusa que este é um “projeto solidário que pretende ajudar a financiar tratamentos de saúde oral em pacientes oncológicos carenciados”.

E, acrescentou, desde que entrou em vigor, em junho de 2024, já ajudou uma dezena de doentes da área do Alto Tâmega e Barroso, que abrange Boticas, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar e Chaves, onde o Rotary está sediado.

“Alguns deles já tiveram acesso a mais do que um financiamento de ajuda, portanto, acho que o balanço é claramente positivo”, salientou Ilídia Rodrigues.

Quando o projeto começou a ser pensado, não havia, neste território, oferta de cuidados de saúde oral no sistema público neste território. Hoje já há concelhos, como Montalegre, onde o Centro de Saúde dispõe de gabinete de saúde oral e há também o cheque dentista que apoia, entre outros, crianças e idosos mais carenciados.

No entanto, há ainda uma grande camada da população sem acesso a saúde oral e é para esses que o projeto “Sorrir para a vida” é dedicado.

Ilídia Rodrigues salientou que o Rotary Clube de Chaves reconheceu que os pacientes oncológicos representavam “uma fatia da população que precisava desse tipo de tratamentos, de cuidados, antes dos tratamentos oncológicos propriamente ditos, durante os tratamentos oncológicos e após o final dos tratamentos para o cancro”.

“E nada melhor como poder oferecer a esses pacientes a possibilidade de serem tratados e ter uma boa saúde oral, recuperar o seu sorriso, a sua autoestima, a sua qualidade de vida”, realçou.

Os potenciais beneficiários têm que apresentar uma candidatura ao Rotary Club de Chaves, com informação sobre a doença e uma prova de carência financeira.

A candidatura vai ser, depois, avaliada por uma comissão independente, que não tem acesso à identidade do doentes para assegurar o sigilo e que a seleção é feita de forma independente.

Segundo a responsável, os tratamentos oncológicos têm impacto na saúde oral, explicando que a cavidade oral é um meio muito contaminado e como o paciente é submetido a terapêuticas que vão diminuir o seu sistema imunitário, fica mais suscetível a infeções que podem impedir o início dos tratamentos ou obrigar à sua interrupção.

“Existem cuidados que o médico dentista vai recomendando e vai orientando o paciente para minimizar esses efeitos colaterais indesejados”, salientou.

O projeto do Rotary é financiado através de donativos e da realização de iniciativas como, por exemplo, a caminhada Rota do Contrabando que vai decorrer sábado, em Vilarelho da Raia, em Chaves, concelho do norte do distrito de Vila Real.

Organizada pelo Centro Social, Cultural e Desportivo de Vilarelho da Raia, a caminhada recria a rota que os contrabandistas faziam para atravessar a fronteira portuguesa com Espanha, bem como os interrogatórios dos presos no quartel da guarda-fiscal e inclui um almoço entre contrabandistas, guias, guardas-fiscais e carabineiros e as receitas revertem para o projeto solidário.

“Este é um projeto 100% solidário, vive de donativos”, referiu Ilídia Rodrigues, que destacou anda a realização em outubro do jantar rosa, em Montalegre, e de outras iniciativas como a gala solidária anualmente organizada pelo Interact Club de Chaves.

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