Investigadores do ciTechCare da Universidade de Leiria e Oeste estão a desenvolver um plano local com a Câmara de Águeda, no distrito de Aveiro, dedicado às demências, através de um processo de cocriação com várias entidades.
A coordenadora, Marlene Rosa, adiantou à agência Lusa que a área da demência “tem sido uma grande preocupação” do grupo de trabalho e “da instituição de uma forma global”.
Por isso, os investigadores têm procurado “construir junto dos municípios alguns programas locais que lhes permitam ter o agendamento de um conjunto de atividades que passem pela prevenção, deteção precoce e implementação de programas”.
Um dos projetos pioneiros está já a ser desenvolvido com a Câmara de Águeda, revelou Marlene Rosa, que destacou a importância das “agendas locais, que às vezes os municípios podem ter alguma dificuldade em as idealizar sem um conceito científico e aconselhamento por trás”.
O trabalho que está a ser desenvolvido com o Município de Águeda e os investigadores esperam replicar noutras autarquias.
“E fazemos sempre isto em cocriação, em processos colaborativos com as IPSS [instituições particulares de solidariedade social] ou outras entidades que o município identifique como sendo prioritárias”, acrescentou Marlene Rosa.
Segundo explicou, deste processo resultaram três eixos prioritários para a região de Águeda, que “serão agora trabalhados” para que fique definido “exatamente aquilo que será as soluções”.
“Nunca definimos nada sozinhos. Servimos como consultores e vamos orientando um bocadinho o processo”, observou.
Um dos eixos que está publicado neste plano local é criar condições para que, “cada vez mais, estas pessoas possam continuar a envelhecer nas suas casas: o 'Aging in Place'”.
A ideia passa por envolver os parceiros que participaram na cocriação do plano, como a GNR, os bombeiros voluntários e as IPSS, identificando o contributo de cada entidade e procurando unir esforços na concretização das medidas previstas em cada um dos eixos.
Reconhecendo que “estes processos são demorados”, Marlene Rosa, também coordenadora do AGILidades, uma 'spin-off' da Universidade de Leiria e Oeste, que visa o desenvolvimento de materiais para incentivar o treino funcional em populações frágeis, afirmou que o processo “já está publicado como uma política pública do município”. Agora, segue-se a segunda fase, onde as medidas serão aplicadas no terreno.
“Águeda foi um município pioneiro, mas claro que gostaríamos de trazer estas boas práticas para a nossa região. Seria muito importante, até porque é uma problemática de certeza aqui de Leiria”, reforçou a investigadora.
Marlene Rosa justificou a parceria com Águeda, no âmbito da Missão Cortex, por ser natural da zona da Bairrada, pelo que já tinha uma ligação ao município, que já tinham adquirido produtos do AGILidades e reconheceram o seu valor científico.