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Óleos vegetais encapsulados em argilas são alternativa ecológica aos antibióticos

Lusa
26-09-2026 00:46h

Uma equipa internacional de cientistas desenvolveu nanocompósitos avançados, feitos de argila e óleos essenciais, capazes de proteger as culturas contra doenças de forma ecológica e ambientalmente responsável.

O estudo, liderado por cientistas da Universidade de Veneza (Itália) e da Estação de Agricultura Experimental de Connecticut (Estados Unidos), contou com a participação do Instituto de Cerâmica e Vidro (ICV) do CSIC, noticiou na sexta-feira a agência Efe.

Os investigadores desenvolveram materiais nanoestruturados que permitem transportar óleos essenciais de orégãos, tomilho e cravinho.

Estes materiais aderem às flores e combatem o fogo-bacteriano, uma das doenças mais destrutivas para as árvores de fruto, provocada pela bactéria Erwinia amylovora.

A doença, que infeta flores, rebentos, folhas e frutos, faz com que os ramos murchem e escureçam, podendo alastrar para o resto da árvore.

A infeção, que pode levar a planta à morte, reduz drasticamente a produção de fruta, gerando prejuízos económicos significativos para as explorações agrícolas.

O estudo, publicado na sexta-feira na revista Journal of Agricultural and Food Chemistry, utiliza uma argila do tipo bentonite como veículo para incorporar óleos essenciais encapsulados que atuam sobre as flores, local onde ocorre uma das fases cruciais da infeção.

Atualmente, o fogo-bacteriano, que afeta mais de 130 espécies da família das rosáceas e está presente em mais de 40 países, é combatido com antibióticos, o que traz o risco de favorecer o aparecimento de resistência antimicrobiana.

Por isso, os cientistas procuram alternativas que permitam reduzir a dependência dos antibióticos "sem abdicar de uma proteção eficaz das culturas", explicou Cástor Salgado, investigador do ICV.

Através de testes de campo e análises genéticas, a equipa comprovou que a formulação com orégãos reduziu significativamente a presença da bactéria Erwinia amylovora, em níveis semelhantes aos obtidos com antibióticos.

Mais concretamente, os nanomateriais carregados com óleos essenciais reduziram a incidência da doença em 76%, em comparação com os 81% alcançados pela estreptomicina, o antibiótico utilizado como tratamento de referência.

Além disso, as análises moleculares mostraram que a argila permanecia unida às flores até nove dias após a aplicação, o que sugere que pode proteger as culturas de forma consistente, sem gerar resistência aos antimicrobianos.

O trabalho demonstra o potencial dos materiais nanoestruturados como forma natural de proteger as culturas e abre um novo caminho para o desenvolvimento de soluções que combinem eficácia, inovação e sustentabilidade.

O CSIC requereu uma patente europeia devido ao potencial de aplicação desta tecnologia.

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