Moçambique tornou-se o primeiro país a receber o reconhecimento de Campeão Leap da Aliança Global para as Vacinas, atribuído pela liderança nas reformas do sistema de saúde, apropriação nacional das políticas sanitárias e investimentos sustentáveis, foi hoje anunciado.
Com a designação em inglês de Gavi Leap Champion, este reconhecimento visa reforçar a liderança dos países na definição e implementação das suas políticas de saúde, segundo um comunicado da instituição.
A distinção foi anunciada em Nova Iorque, à margem da 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, e constitui o primeiro reconhecimento atribuído pela Aliança Global para as Vacinas (Gavi) no âmbito desta iniciativa.
A organização internacional refere que Moçambique foi o primeiro país a concretizar a mudança estratégica da Gavi para o período 2026-2030, adotando uma abordagem integrada dos orçamentos de imunização em alinhamento com a Estratégia Nacional de Imunização.
A medida estabelece uma nova referência na harmonização das prioridades nacionais, dos investimentos dos parceiros e dos objetivos do sistema de saúde em torno de uma visão comum, acrescenta a instituição.
O reconhecimento é atribuído a países que demonstrem resultados considerados excecionais em áreas como a apropriação nacional das políticas de saúde, o fortalecimento dos sistemas sanitários e a obtenção de impactos sustentáveis na saúde das populações.
Ao receber a distinção, o ministro da Saúde, Ussene Hilário Isse, afirmou que reflete o compromisso do Estado moçambicano com reformas lideradas pelo país, investimentos sustentáveis e uma melhor coordenação com os parceiros de desenvolvimento.
"Temos orgulho em ser pioneiros da iniciativa Gavi Leap, que coloca as prioridades nacionais e a saúde da nossa população no centro da tomada de decisões", declarou o governante, citado no documento.
A Gavi destaca igualmente que a liderança de Moçambique no setor da saúde vai além da imunização, apontando o envolvimento do país na Agenda de Lusaka e na União Africana, bem como reformas nos cuidados de saúde comunitários integrados, no financiamento à saúde e na gestão da cadeia de abastecimento.
Entre os avanços assinalados pela organização figura a aprovação da Lei do Sistema Nacional de Saúde de 2026, que formalizou o Subsistema de Saúde Comunitária e integrou a remuneração dos trabalhadores comunitários de saúde na massa salarial do Estado.
A presidente do Conselho de Administração da Gavi, Rt Hon Helen Clark, afirmou que Moçambique demonstrou que a apropriação nacional pode impulsionar o progresso, ao alinhar prioridades, fortalecer os sistemas comunitários de saúde e mobilizar parceiros em torno de uma agenda comum.
A Gavi tem ajudado o país africano nas políticas de imunização e controlo de doenças em crianças. Só este ano, foi anunciado um apoio a Moçambique com 275 milhões de dólares (239 milhões de euros) até 2030, para imunização, avançando-se também com a introdução, ainda este ano, da vacina contra a hepatite B à nascença e continuar a apoiar os programas de saúde no país.
A Gavi, Aliança para as Vacinas, é uma parceria internacional público-privada criada em 2000 para aumentar o acesso à vacinação nos países de baixo rendimento, reunindo governos, organizações multilaterais, indústria farmacêutica, sociedade civil e parceiros privados.
A organização apoia programas de imunização, o reforço dos sistemas de saúde e a expansão do acesso a vacinas, com o objetivo de reduzir a mortalidade infantil e prevenir doenças evitáveis.