SAÚDE QUE SE VÊ

Ébola: Promessas de financiamento à RDCongo chegam a 2.685 ME

Lusa
24-09-2026 18:32h

A resposta internacional à epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) alcançou compromissos de financiamento de quase 3.000 milhões de dólares (2.685 milhões de euros), após uma reunião ministerial do G20 em Nova Iorque.

Na mesma reunião, realizada quarta-feira e anunciada hoje, foram prometidos 700 milhões de dólares (615 milhões de euros) em novos fundos.

O Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC África) indicou hoje, em conferência de imprensa, que o total da ajuda mobilizada desde a declaração do surto, em maio, na RDCongo, ascende agora a 2.997 milhões de dólares.

A reunião, convocada na quarta-feira à margem da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, foi liderada pelos Estados Unidos, que encabeçam a lista de doadores com uma contribuição acumulada de 887 milhões de dólares (779 milhões de euros), seguidos pela União Europeia, com 568 milhões de dólares (500 milhões de euros).

Apesar da mobilização financeira, o diretor-geral do CDC África, Jean Kaseya, alertou que "as promessas, por si só, não vão travar o Ébola" e exigiu que os fundos sejam disponibilizados de imediato e de forma transparente nas zonas afetadas.

"Temos de ser capazes de seguir cada dólar, desde o compromisso até ao desembolso, desde o parceiro responsável pela execução até à despesa e, por fim, até aos serviços prestados às comunidades afetadas. A transparência gera confiança, acelera a prestação de serviços e salva vidas", sublinhou.

Para garantir o controlo dos fundos, o CDC África vai reforçar o mecanismo de acompanhamento financeiro em conjunto com o Governo da RDCongo e a Organização Mundial da Saúde (OMS), para fiscalizar a execução orçamental e evitar a duplicação de esforços.

Kaseya defendeu que os recursos se traduzam de imediato em medidas no terreno, nomeadamente no envio de equipamentos de proteção para os profissionais na linha da frente, no reforço da vigilância laboratorial, no rastreio ativo de contactos e na distribuição de meios médicos de combate à doença.

Segundo o balanço mais recente da agência africana de saúde pública, a epidemia soma 7.820 casos confirmados e 3.779 mortes desde que foi oficialmente declarado um surto no leste da RDCongo, em 15 de maio.

Um total de 1.951 doentes recuperaram e 885 permanecem hospitalizados ou em isolamento.

Entre os profissionais de saúde, foram registadas 239 infeções e 50 mortes.

A epidemia afeta 63 zonas de saúde de sete das 26 províncias da RDCongo: Ituri (leste), Tshopo (centro-norte), Baixo Uele (norte), Alto Uele (nordeste), Kivu do Norte (leste), Kivu do Sul (leste) e Ubangui do Sul (noroeste).

É o segundo mais mortífero e com mais contágios a nível mundial, embora ainda esteja longe do mais grave registado até hoje, que causou cerca de 11.000 mortes e 28.000 infeções na África Ocidental entre 2014 e 2016.

MAIS NOTÍCIAS