SAÚDE QUE SE VÊ

Ordem pede adiamento de novo modelo para escolha de vagas do internato médico

Lusa
24-09-2026 11:06h

A Ordem dos médicos pediu hoje o adiamento do novo modelo de escolha de vagas para o internato médico, alertando que a nova plataforma informática nunca foi testada em condições reais, com os candidatos e sob carga.

Num comunicado hoje divulgado, a Ordem dos Médicos considera que o primeiro ensaio real desta plataforma - criada e raiz para este procedimento - "não pode ser feito à custa do futuro de mais 2.449 jovens médicos candidatos".

Diz ainda que, antes de avançar, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) tem de garantir um plano de contingência, previamente testado, que assegure a continuidade do processo perante qualquer falha informática.

"Nenhum candidato pode perder uma vaga por uma indisponibilidade ou erro do sistema", defende.

Até agora, os médicos que se candidatavam ao internato (formação específica) tinham de comparecer, num determinado dia e hora, nos únicos locais de escolha de vagas disponíveis em Lisboa, Porto, Coimbra, Funchal e Ponta Delgada, mas este ano, com o novo modelo, passam a poder candidatar-se de forma digital.

A alteração do modelo mereceu críticas da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) e do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), levando também à criação de uma petição pública, que, às 10:30 de hoje, tinha mais de 5.500 subscritores, que pediam transparência, equidade e justiça no processo de escolha de vagas.

Na semana passada, a ANEM veio alertar para o facto de o novo modelo poder levar mais médicos a desistirem das vagas em que são colocados, enquanto o SMN anunciou que pediu esclarecimentos urgentes sobre as novas regras.

Depois das primeiras críticas, a ACSS veio dizer que o novo modelo tinha contado com contributos de profissionais indicados pela Ordem dos Médicos, defendendo que proporciona aos candidatos maior transparência.

Numa nota divulgada na semana passada, a ACSS garantiu que o modelo assíncrono tinha sido alvo de testes técnicos e funcionais.

Realçou também que o candidato é quem “define a escolha”, cabendo ao algoritmo apenas executar as regras de atribuição, de “acordo com as normas legalmente estabelecidas”.

Segundo referiu, estão também previstas medidas de contingência para responder a ocorrências que possam comprometer as colocações, com o sistema a registar cada colocação, a atualizar o estado da candidatura e o número de vagas disponíveis e a manter um histórico do processamento.

No comunicado hoje divulgado, a Ordem dos Médicos diz que o conhecimento que tanto a Ordem como o Conselho Nacional do Médico Interno têm de todas as fases do processo permite defender que a implementação da plataforma informática seja adiada.

"A alteração do modelo numa fase tão avançada, sem um ensaio-piloto, é inaceitavelmente tardia e está a gerar legítima apreensão", escreve a Ordem, defendendo que uma mudança com este impacto "não pode ser precipitada, rodeada de dúvidas e sem fiabilidade tecnológica, rastreabilidade e previsibilidade".

Diz ainda que defendeu desde o início o adiamento da entrada em vigor do novo modelo, sublinhando que "modernizar é necessário", mas não à custa dos candidatos e que uma plataforma sem ensaio-piloto em condições reais não pode avançar sem mais garantias de segurança, transparência e equidade.

MAIS NOTÍCIAS