A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) confirmou hoje a entrada do vírus Shamonda (SHAV), que afeta, sobretudo, os bovinos, na Península Ibérica e pediu o reforço da vigilância epidemiológica.
“Foi confirmada a detenção do vírus Shamonda em vários países da União Europeia. Também Espanha informou a detenção deste vírus em explorações bovinas, constituindo a primeira identificação desta infeção na Península Ibérica”, lê-se numa nota da DGAV.
A transmissão ocorre através da picada de insetos do género culicoides e não existem evidências da transmissão direta significativa entre animais.
Ainda assim, existe a possibilidade de transmissão vertical da mãe para o feto durante a gestação.
Os bovinos são, sobretudo, os mais afetados, embora os ovinos e caprinos também possam ser suscetíveis à infeção, mas sem uma manifestação clínica aparente.
Os bovinos com infeções agudas podem ter febre, diarreia e diminuição da produção leiteira entre 10% e 20%.
Apesar de a “morbilidade ser elevada”, a maioria dos animais adultos recupera da infeção.
No caso das fêmeas gestantes, o vírus pode ultrapassar a placenta e infetar o feto o que, consequentemente, pode provocar abortos ou malformações congénitas.
O vírus foi identificado, pela primeira vez, na década de 1960, na Nigéria. Posteriormente, foi detetado, de forma esporádica, em África e no Japão.
Este ano foi detetada uma variante na Europa Central. A primeira deteção ocorreu na Suíça, no final de julho.
O vírus também já foi identificado em França, Alemanha, Áustria, Bélgica, Países Baixos, Liechtenstein, Itália e Espanha.
Perante este cenário, a DGAV pediu o reforço da vigilância epidemiológica.