Pelo menos doze mulheres com cancro do colo do útero foram submetidas a cirurgia no Hospital Central de Nampula, norte de Moçambique, após anos de espera por diagnóstico e tratamento especializado, avançou a unidade hospitalar.
Entre 14 e 18 de setembro foram avaliadas 33 pacientes previamente selecionadas por apresentarem critérios para intervenção cirúrgica, das quais 13 foram consideradas elegíveis para a operação, tendo 12 sido efetivamente submetidas a procedimentos cirúrgicos, segundo o médico especialista em ginecologia e obstetrícia do HCN, o maior hospital do norte de Moçambique, na província de Nampula, Pedro Ernesto.
“Das 13 pacientes, conseguimos submeter a intervenção cirúrgica 12. Tivemos a exceção de uma paciente que não foi submetida à cirurgia porque tinha uma doença crónica não estabilizada”, explicou Pedro Ernesto, em conferência de imprensa.
O especialista esclareceu que a paciente, que igualmente sofre de diabetes, deverá ser operada posteriormente pelos médicos locais, uma vez estabilizado o seu estado de saúde.
“Todas as pacientes evoluíram com sucesso, já tiveram altas clínicas e estão em seguimento nas consultas externas”, disse o médico, acrescentando que as mulheres continuarão a ser acompanhadas por pelo menos dois anos, de modo a monitorar a sua recuperação.
Segundo Pedro Ernesto, as pacientes operadas eram provenientes principalmente da cidade de Nampula, mas também dos distritos de Monapo, Ribáuè e Murrupula, além de casos encaminhados de Pemba e da província da Zambézia, centro do país, depois de avaliados e considerados com indicação para cirurgia.
Na ocasião, sublinhou que durante a semana foi realizada uma formação destinada aos médicos do HCN com vista a permitir que adquiram capacidade para assegurar parte destes procedimentos.
O programa envolveu especialistas em oncologia ginecológica provenientes de Maputo, médicos ginecologistas-obstetras e médicos em formação no HCN, tendo também uma componente de capacitação dos profissionais locais.
“Foram capacitados três médicos especialistas em ginecologia obstetrícia e quatro médicos residentes, que já estão preparados para executar os procedimentos mínimos e as cirurgias menos complexas do cancro do colo do útero”, afirmou.
Pedro Ernesto explicou, contudo, que os casos mais complexos continuarão a necessitar da intervenção de especialistas em oncologia ginecológica, devido à duração e complexidade das cirurgias.
O médico defendeu ainda o reforço do rastreio e da prevenção do cancro do colo do útero, considerando que a doença é prevenível através da vacinação contra o HPV e da deteção precoce de lesões precursoras. “O que podemos recomendar agora é que todas as mulheres elegíveis possam fazer o rastreio do cancro do colo do útero”, apelou.
No domingo, a Lusa divulgou uma reportagem em que alertava que mulheres moçambicanas de diferentes idades aguardam no Hospital Central de Nampula por respostas que podem mudar vidas, após de anos de dores, incertezas e desconhecimento sobre os sinais de alerta do cancro do colo do útero.
Na altura, os especialistas já associavam a doença ao diagnóstico tardio e à falta de rastreio regular, com as 13 mulheres já na fila de espera pelo diagnóstico e consequente procedimento cirúrgico que, entretanto, abrangeu 12 delas.