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Fecharam mais de 750 camas de cuidados continuados em cinco anos - associação

LUSA
23-09-2026 06:00h

A Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC) revelou hoje que nos últimos cinco anos fecharam mais de 750 camas nestas unidades, das quais mais de 260 só este ano, o triplo do ano passado.

Segundo os dados disponibilizados à Lusa pela ANCC, este ano fecharam na totalidade 264 camas e outras 72 foram encerradas mas a instituição reforçou outras equipas, sobretudo as de cuidados continuados integrados, que se deslocam ao domicílio.

“Na minha opinião, uma cama que é encerrada não é substituível por um apoio domiciliário. São coisas diferentes. Normalmente, quem precisa de ser internado não vai para o domicílio, vai mesmo para o internamento”, afirmou o presidente da ANCC, José Bourdain, ouvido pela agência Lusa.

Para o responsável, as camas abrangidas pela consolidação da rede, que fecham mas as unidades reforçam as equipas, por exemplo, de cuidados domiciliários, “são camas que, na prática, fecham”.

“Eu arriscaria a dizer que são 264 [fecho total] mais 72 [consolidação da rede], só este ano. Desde 2021-2022 estamos a falar de 749 mais 115”, acrescentou.

Os dados indicam ainda que, desde janeiro, foram reclassificadas (mudaram de tipologia) 15 camas. Os da ANCC indicam ainda que há 55 camas não verificadas, ou seja, não há informação concreta sobre elas.

Das que há informação disponibilizada pela rede de cuidados continuados, a ANNC contabiliza desde 2021 quase 880 efetivamente encerradas, substituídas por equipas de cuidados domiciliários ou reclassificadas.

“Acho isto gravíssimo. Fecharam mais camas em 2026, e ainda nem chegámos ao fim do mês de setembro, do que nos últimos três anos anteriores”, afirmou José Bourdain, que tem vindo a alertar para o subfinanciamento crónico destas instituições e vai hoje ser recebido na Presidência da República sobre esta matéria.

O responsável acrescenta que as atualizações anuais dos sucessivos governos não têm compensado os aumentos de custos das instituições, sobretudo com salários.

“Há um historial de vários anos ou de preços congelados, ou de aumento de preços ridículo. As unidades chegam a um limite em que já não aguentam mais e fecham a porta”, lamentou.

Lembra que, no início, a meta do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) era de 5.500 camas, mas depois só foram lançadas a concurso 4.446: “Logo no início dos inícios do PRR ficaram 1.054 camas de fora”, lembrou.

Depois – acrescentou - , na região Centro avançaram cerca de 400 camas, nas várias tipologias, e, no Norte, foram aprovadas 2.000, o que, no total, representava cerca de 50% das metas iniciais.

Já na região de Lisboa e Vale do Tejo, segundo o responsável, foram aprovadas 1.457 camas, das quais apenas avançaram pouco mais de 100.

Questionado sobre o impacto do PRR nesta área, diz que as novas camas que efetivamente avançaram “não compensam as que fecharam”: “Em vez de melhorar, piorou”.

Os dados da ANCC indicam que este ano fecharam efetivamente 264 camas, 72 fecharam mas as equipas de apoio domiciliário foram reforçadas e 15 mudaram de tipologia.

No ano passado 90 encerraram e 43 fecharam mas as instituições reforçaram as equipas, sobretudo na prestação de cuidados domiciliários.

Os dados dos encerramentos de camas nos cuidados continuados disponibilizados pela ANCC apontam para 88 em 2024, 87 em 2023 e 220 em 2021-2022.

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