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Ébola: Epidemia na RDCongo avança de forma "exponencial" no Kivu do Norte - OMS

Lusa
15-09-2026 13:16h

A epidemia do vírus Ébola que afeta o leste da República Democrática do Congo (RDCongo) está a avançar de forma "exponencial" no Kivu do Norte, enquanto sinais de melhoria são observados noutras províncias, indicou hoje a Organização Mundial da Saúde.

No sábado, o Governo congolês anunciou que o pico da epidemia tinha sido atingido em meados de agosto e que os "parâmetros indicavam uma diminuição do número de casos" a nível nacional para esta doença extremamente letal, que já matou mais de 15.000 pessoas em África nos últimos 50 anos.

Mas, segundo a OMS, a situação epidemiológica continua heterogénea.

"As tendências a nível nacional não refletem as tendências a nível provincial ou local", salientou, em Genebra, Olivier le Polain, chefe da unidade de Epidemiologia e Análise para Intervenções da OMS, em declarações à imprensa.

Por exemplo, o responsável da OMS destacou a região do Kivu do Norte.

Nesta região, "o número de mortes semanais quase duplicou nas últimas duas semanas, passando de cerca de 100 novos casos por semana para mais de 200", sublinhou, especificando que a província agora concentra cerca de 45% do total de casos reportados na semana passada.

"No geral, a transmissão do vírus (...) continua intensa e geograficamente extensa", acrescentou Polain.

Polain também indicou "alguns sinais iniciais de redução da transmissão" em algumas áreas da província de Ituri, foco desta epidemia, onde "a proporção de casos diminui com o tempo".

Além disso, detalhou, nenhum caso confirmado foi detetado no Kivu do Sul desde o final de maio, um caso recente foi reportado no Sul-Ubangi e três casos no Baixo-Uélé, a Tshopo reporta casos "esporádicos, principalmente importados" e o Alto-Uélé apresenta uma transmissão local "mais estabelecida", com cerca de 30 a 40 novos casos por semana.

"Estes indicadores ainda não mostram o nível de melhoria que gostaríamos de ver", acrescentou ainda o responsável, explicando que "o novo caso detetado na semana passada na província do Sul-Ubangi relembra o risco de uma extensão geográfica da epidemia, num contexto de muita mobilidade da população".

A RDCongo declarou, em meados de maio, com várias semanas de atraso, a sua 17.ª epidemia de Ébola.

Tendo tido início na província de Ituri (nordeste), a epidemia atual afeta regiões do leste e do norte da RDCongo, remotas e instáveis, onde a resposta sanitária tem dificuldade em conter a explosão de casos.

Nos últimos dias, a epidemia alastrou-se a uma sétima província, o Sud-Ubangui, que faz fronteira com a República Centro-Africana e o Congo-Brazzaville.

As autoridades congolesas registaram 7.022 casos, dos quais 3.398 mortes e 1.671 recuperações desde o início da epidemia, segundo noticiaram no sábado.

No anterior balanço das autoridades, foram contabilizadas 3.310 mortes e 6.843 casos confirmados.

"O pico foi atingido" no "início da terceira semana de agosto", afirmou nas redes sociais o porta-voz do Governo congolês, Patrick Muyaya, no sábado.

"Todos os indicadores apontam para uma diminuição do número de casos", acrescentou, nessa comunicação, precisando que "10 das 61 zonas de saúde" afetadas pela epidemia não registaram novos casos desde "há pelo menos 21 dias".

As organizações responsáveis pela resposta à epidemia consideram que os fundos são largamente insuficientes para garantir o acompanhamento e o isolamento dos doentes na RDCongo.

Estão a ser testados vários tratamentos e vacinas contra a estirpe Bundibugyo do vírus, responsável pelo surto atual, contra o qual não existe, até à data, qualquer vacina ou tratamento aprovado.

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