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Programa digital para apoiar mulheres na menopausa criado na Universidade de Coimbra

Lusa
15-09-2026 12:44h

Um programa digital de intervenção psicológica para responder aos desafios físicos e emocionais da transição para a menopausa foi criado na Universidade de Coimbra (UC), acompanhado de um estudo dirigido a mulheres entre os 40 e 60 anos.

Designado “Cuidar-ME – Autocuidado durante a Menopausa: uma intervenção psicológica para promover a saúde mental e a qualidade de vida das mulheres durante a (peri)menopausa”, o programa digital, acessível através de computador ou de telemóvel, com acesso à internet, “oferece estratégias práticas e informações baseadas em evidência científica para promover o autocuidado, o bem-estar e a qualidade de vida durante a perimenopausa e a menopausa”, referiu a UC, numa nota de imprensa hoje enviada à agência Lusa.

A equipa de investigação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), responsável pelo desenvolvimento da ferramenta digital, está a testá-la, notando que a menopausa e a perimenopausa “são fases naturais de transição biológica e emocional profundas, constituindo um marco desenvolvimental significativo durante a idade adulta”.

“A transição para a menopausa é uma fase com muitas mudanças físicas e psicológicas que podem ter impacto não só na mulher e no seu bem-estar, mas também nas suas relações em diversos contextos, como o pessoal e o profissional”, argumentou, citada na nota, Ana Fonseca, docente da FPCEUC e investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental.

“Muitas vezes, a mulher vive esta fase sozinha, sem partilhar o que sente ou mesmo sem perceber bem o que se está a passar consigo, porque, infelizmente, este tema ainda é tratado como um tabu”, enfatizou a especialista.

Ana Fonseca defendeu a importância da investigação dirigida especificamente a esta fase do ciclo de vida das mulheres adultas, lembrando que o período de transição para a menopausa “está frequentemente associado a sintomas como oscilações de humor, ansiedade, alterações de sono e perturbações na qualidade de vida global”.

“Apesar do seu impacto na vida das mulheres, o apoio psicológico é ainda escasso e de difícil acesso para a maioria das mulheres”.

Deste modo, o programa “apresenta uma solução digital e acessível que orienta as utilizadoras em estratégias de autocuidado e regulação emocional, promovendo competências práticas para gerir alguns dos sintomas da menopausa”.

O “Cuidar-ME“ é composto por oito módulos que podem ser realizados ao ritmo de cada participante, com informações, exercícios e estratégias para a gestão de ansiedade, regulação do humor ou aceitação, entre outros temas.

“Procura ajudar as mulheres a compreender as mudanças que possam estar a sentir durante a transição ou após a menopausa e ajudá-las a encontrar estratégias úteis para promover o seu bem-estar e a sua saúde mental”, reforçou Ana Fonseca.

Paralelamente, a equipa de investigação está a realizar um estudo, dirigido a mulheres entre os 40 e 60 anos de idade que se encontrem em perimenopausa ou pós-menopausa e que vivam em Portugal, para avaliar a eficácia e aceitabilidade desta intervenção.

“Procuramos compreender a experiência das utilizadoras do programa e avaliar se, depois da participação, existem melhorias no seu bem-estar e saúde mental”, frisou a docente.

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