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UMAR/50 anos: Problemas das mulheres de há 50 anos persistem hoje, diz fundadora

LUSA
12-09-2026 05:00h

A fundadora da UMAR Maria Idalina Rodrigues considera que os problemas que afetavam as mulheres há 50 anos persistem hoje, defendendo que a igualdade de género e os direitos das mulheres continuam a exigir luta, educação e mobilização.

Maria Idalina Rodrigues tinha 22 anos quando aconteceu o 25 de Abril e hoje, quando a associação que fundou faz 50 anos, recorda um país em que a realidade das mulheres era marcada pelo analfabetismo, desigualdade salarial, falta de habitação e aborto clandestino, problemas que levaram muitas mulheres a participar nas movimentações sociais que se seguiram à Revolução.

Segundo a dirigente, 31% das mulheres eram analfabetas e não existia igualdade salarial, enquanto cerca de 25% da população não tinha casa ou vivia em bairros de barracas. Em 1974, acrescenta, estimavam-se em 100 mil os abortos clandestinos por ano, com mulheres a morrerem na sequência dessas intervenções.

Depois do 25 de Abril, as mulheres participaram nas lutas nas fábricas e nos bairros, reivindicando a manutenção dos postos de trabalho, creches e salário igual para trabalho igual, mas também habitação digna e alfabetização.

Conta que foi nesse contexto que surgiu a necessidade de criar uma organização que desse maior visibilidade aos problemas específicos das mulheres e contribuísse para que ganhassem confiança para defender os seus direitos.

Maria Idalina Rodrigues recorda que muitas mulheres começaram nessa altura a falar pela primeira vez em plenários e reuniões, assumindo reivindicações que até então tinham pouca expressão pública. Segurando a dirigente, a UMAR nasceu dessa necessidade de organização e intervenção, com a igualdade como uma das principais bandeiras.

“Iguais na lei, iguais na vida” tornou-se uma das palavras de ordem da organização, sintetizando uma luta que, para a fundadora, não terminava com o reconhecimento formal de direitos, mas exigia que estes tivessem tradução na vida das mulheres.

Uma das batalhas que marcou esse percurso foi a interrupção voluntária da gravidez. Maria Idalina Rodrigues recorda que, mesmo depois de aprovada legislação que permitia o aborto em determinadas circunstâncias, muitas mulheres continuaram sem conseguir aceder à interrupção da gravidez nos hospitais e clínicas e algumas chegaram a ser julgadas.

Ao longo de cinco décadas, a UMAR foi adaptando a intervenção às transformações da sociedade e alargando as áreas de trabalho. Igualdade de género, violência doméstica, assédio sexual, educação para a igualdade e violência nas escolas são hoje algumas das questões em que a associação intervém.

A organização desenvolve também projetos relacionados com o idadismo e iniciativas em bibliotecas, municípios e escolas, procurando trabalhar a igualdade de género junto de diferentes públicos.

Segundo Maria Idalina Rodrigues, a educação assume particular importância, sobretudo junto dos mais jovens, com trabalho destinado a desconstruir estereótipos de género e a abordar questões como violência, discurso de ódio, assédio e violência no namoro.

Salienta que a dimensão intergeracional é uma das características da UMAR, em que as fundadoras transportaram a experiência e as lutas das mulheres de gerações anteriores e procuram transmitir esse património às mais jovens, para que deem continuidade a um caminho que considera ainda incompleto.

“A igualdade, os direitos das mulheres, a igualdade de género é uma coisa importante”, afirma, acrescentando tratar-se de uma luta “que não se esgota” e que deve continuar.

Nos 50 anos da UMAR, a fundadora faz um balanço positivo do percurso da organização, considerando que conseguiu influenciar a sociedade, integrar diferentes plataformas, trabalhar com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e adaptar-se às mudanças sociais.

“O balanço é positivo”, resume Maria Idalina Rodrigues, para quem a evolução das condições sociais levou também a UMAR a alargar a forma como olha para os problemas das mulheres.

“Na minha opinião, acho que o balanço que nós podemos hoje [fazer], ao fim de 50 anos, é orgulharmo-nos do trabalho que fizemos durante estes 50 anos”, conclui.

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