Cerca de 120 mil doentes oncológicos no Iémen enfrentam uma crise humanitária "cada vez mais grave", devido ao bloqueio imposto pela Arábia Saudita, declarou hoje o Ministério da Saúde controlado pelos rebeldes Huthis.
O porta-voz do Ministério, Anees al-Asbahi, afirmou hoje em conferência de imprensa que a grave escassez de medicamentos e as restrições às viagens ao estrangeiro para tratamento estão a agravar a situação dos doentes.
As autoridades Huthis – rebeldes que controlam grande parte do país e o seu Governo não é reconhecido internacionalmente - afirmaram que a escassez já afeta 60% dos medicamentos para o cancro e que cerca de 28 mil doentes morreram "nos últimos anos por não receberem tratamento adequado ou por não conseguirem viajar para o estrangeiro".
O Ministério dirigido pelos rebeldes Huthis — aliados do Irão — informou que, entre 2021 e 2025, mais de 15.600 doentes necessitaram de tratamentos indisponíveis no país.
Os Huthis atribuíram esta situação ao desaparecimento do mercado iemenita de 1.329 medicamentos — incluindo 12 quimioterápicos — de 83 empresas farmacêuticas internacionais devido a restrições à importação.
O porta-voz alertou para o impacto nas crianças, referindo que 30% das crianças com leucemia que necessitavam de tratamento no estrangeiro morreram, enquanto cerca de 3.000 crianças com a mesma doença são afetadas pela falta de medicamentos.
Além disso, as autoridades rebeldes indicaram que o encerramento do aeroporto da capital impede as viagens ao estrangeiro, obrigando muitos doentes a fazerem longas viagens por terra até Aden, no sul do país.
O Ministério Huthi instou a ONU e as organizações internacionais a pressionarem pela reabertura do aeroporto de Sana e pelo alívio das restrições marítimas para garantir a entrada de material médico.
Esta denúncia surge em plena retoma do conflito, após a recente reativação das hostilidades em julho entre os Huthis e a Arábia Saudita, quebrando assim a trégua em vigor acordada pela ONU em 2022.