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Bastonário dos médicos diz que é preciso corrigir falhas no SINACC

Lusa
23-07-2026 15:18h

O bastonário da Ordem dos Médicos afirmou hoje que o Sistema Integrado de Gestão do Acesso a Cuidados de Saúde (SINACC) apresenta “imensas falhas” que é preciso corrigir para garantir a resposta aos doentes em lista de espera.

“Há falhas nos atos médicos descritos, há falhas na monitorização e na avaliação de todo o sistema”, disse Carlos Cortes, adiantando que no início da próxima semana a Ordem dos Médicos vai enviar ao Ministério da Saúde um documento com “10 a 12 sugestões de correção” do SINACC.

“Eu não queria daqui a poucos meses estar a dizer que o SINACC também está a falhar, mas da forma que foi elaborado tem todas as condições para as coisas não correrem bem”, acrescentou, admitindo, no entanto, que o Ministério da Saúde poderá ainda introduzir alterações que tornem o sistema “fiável” e capaz de responder às necessidades dos doentes.

O bastonário da Ordem dos Médicos, que falava aos jornalistas no final de uma visita à Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Almada, lembrou ainda que o SINACC foi criado para substituir o SIGIC (Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia), que apresentava muitas falhas.

Questionado sobre a retenção de ambulâncias à porta dos hospitais por falta de macas, o bastonário considerou ser uma situação “inadmissível”.

“Não podemos ter ambulâncias à porta dos hospitais à espera de que os seus doentes possam ter uma maca, uma cama, para serem recebidos dentro do hospital”, disse, salientando que a retenção de macas impede os meios de socorro de responderem a outras emergências.

O bastonário frisou ainda que se trata de uma situação que “acontece permanentemente”, não apenas no verão, e que tem de ser resolvida pelos hospitais, Unidades Locais de Saúde (ULS) e Direção Executiva do SNS, reiterando a disponibilidade da Ordem dos Médicos para colaborar na procura de soluções.

Sobre o funcionamento da urgência de obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada, Carlos Cortes reconheceu que existe uma “sobrecarga e uma grande pressão devido à concentração de utentes provenientes de outras maternidades com constrangimentos”, mas afirmou-se convicto de que os profissionais daquele hospital “vão continuar a dar resposta”, embora sujeitos a um “esforço enorme, com turnos atrás de turnos”.

Carlos Cortes alertou, contudo, para a “carência muito grave de anestesistas”, lembrando que o funcionamento das maternidades não depende apenas de obstetras e neonatalogistas, mas também de médicos anestesistas.

“É uma mensagem para a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde para se preocupar com essa situação”, afirmou, anunciando que irá reunir-se em breve com o conselho de administração do Garcia de Orta  para procurar soluções, face à falta de médicos anestesistas.

Carlos Cortes manifestou ainda preocupação com a urgência de obstetrícia do Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, que “deverá permanecer encerrada durante todo o mês de agosto, assegurando apenas resposta emergente quando acionada pelo INEM”.

Na visita à UCSP de Almada, o bastonário fez ainda um balanço positivo da situação dos cuidados de saúde primários na Unidade Local de Saúde (ULS) Almada-Seixal, salientando que o número de doentes sem médico de família naquela unidade tem vindo a diminuir, apesar de ainda haver 55 mil utentes sem médico de família num universo de 380 mil utentes do Seixal e de Almada.

“O objetivo seria todos os utentes terem médico de família, mas reconhecemos que houve aqui um esforço muito importante na contratação de médicos”, afirmou, destacando ainda a importância da deslocação de especialistas hospitalares aos centros de saúde para realização de consultas.

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