O vereador na Câmara de Salvaterra de Magos Francisco Madelino considerou hoje que o executivo municipal tem responsabilidades pelos atrasos na construção da Unidade de Saúde de Marinhais, admitindo preocupação com a possível perda financiamento associado à obra.
As declarações do vereador socialista surgem depois de a presidente da autarquia, Helena Neves, ter admitido, em reunião de câmara, que a Unidade de Saúde de Marinhais dificilmente será concluída dentro dos prazos exigidos pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), cenário que poderá comprometer o apoio financeiro previsto para o projeto.
Em declarações à agência Lusa, Francisco Madelino atribuiu os atrasos ao início tardio da empreitada e ao facto de a empresa construtora ter outras obras em curso no concelho.
Segundo o vereador socialista, num contexto de escassez de mão-de-obra, a prioridade deveria ter sido dada à unidade de saúde de Marinhais, em detrimento de outras empreitadas com prazos de execução mais alargados.
O autarca deu como exemplo a empreitada do Pavilhão dos Foros de Salvaterra, também executada pela mesma empresa, que dispõe de prazos mais alargados por ser financiada pelo programa Portugal 2030, defendendo que a prioridade deveria ter sido a conclusão da infraestrutura de saúde.
O vereador considera que o atual executivo "tem responsabilidade nesta matéria", considerando que, ao longo dos oito meses de mandato, deveria ter acompanhado “mais de perto a evolução da obra e promovido uma afetação diferente dos recursos disponíveis”.
O eleito do PS recordou ainda que o partido alertou desde o início do mandato para os riscos associados ao atraso da empreitada.
A nova Unidade de Saúde de Marinhais representa um investimento global entre 1,8 e 1,9 milhões de euros, dos quais entre 1,1 e 1,2 milhões correspondem a financiamento externo, indicou.
Para Francisco Madelino, a eventual perda dessa comparticipação teria um impacto significativo nas contas municipais.
"A Câmara de Salvaterra tem umas finanças que eu diria limitadas", afirmou, rejeitando o argumento de que a situação possa ser resolvida através da contratação de empréstimos ou do aumento das receitas municipais provenientes do crescimento do mercado habitacional.
Francisco Madelino defendeu que a nova unidade é fundamental para melhorar a resposta à população de Marinhais, freguesia que, segundo afirmou, continua a registar dificuldades na atração e fixação de médicos.
O autarca destacou que a Unidade de Saúde de Salvaterra de Magos dispõe do número de médicos necessário, enquanto a de Marinhais apresenta um défice, apesar de ambas se situarem a cerca de 10 quilómetros de distância.
"Há aqui qualquer coisa que está a falhar entre a gestão das duas unidades de saúde e que importa perceber", afirmou.
O vereador disse ainda que acompanha com atenção outras obras financiadas por fundos comunitários e pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), embora considere que o risco de perda de financiamento seja atualmente mais significativo na Unidade de Saúde de Marinhais.
Durante uma reunião do executivo municipal, a presidente da Câmara de Salvaterra de Magos, Helena Neves, afirmou que o município "não vai conseguir" cumprir os prazos associados à construção da Unidade de Saúde.
A responsável acrescentou que vai reportar esta situação às entidades competentes, explicando que as comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) estão a proceder ao levantamento dos projetos em risco, com o objetivo de identificar eventuais fontes alternativas de financiamento.
Apesar dessa possibilidade, frisou que não existe ainda qualquer garantia formal de financiamento substitutivo, existindo apenas uma expectativa de que possam vir a ser criadas outras linhas de apoio.
A agência Lusa questionou a câmara de Salvaterra de Magos sobre a situação, mas não obteve respostas até ao momento.