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‘Cluster’ de Saúde assistiu mais de 100 mil pessoas no norte de Moçambique

Lusa
22-07-2026 06:56h

Mais de 100 mil pessoas beneficiaram até junho de assistência médica em resposta ao conflito armado no norte do território moçambicano, avançou hoje o Cluster de Saúde de Moçambique, alertando que o défice de financiamento continua a condicionar o apoio.

"No final de junho de 2026, os parceiros do ‘cluster’ de saúde tinham alcançado mais de 100.179 pessoas através da resposta humanitária de saúde ao conflito no norte de Moçambique", refere-se num boletim daquela organização, divulgado hoje.

O Cluster de Saúde de Moçambique, liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma plataforma humanitária que coordena organizações governamentais e não-governamentais para disponibilizar serviços de saúde essenciais.

Ainda de acordo com o documento, o número corresponde a cerca de 24% dos 409.968 beneficiários previstos no Plano de Resposta Humanitária (HRP) de 2026, que abrange 18 distritos das províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, norte de Moçambique.

A plataforma humanitária indica que o país continua a enfrentar "uma complexa situação humanitária" impulsionada pelos impactos combinados dos choques climáticos e do conflito prolongado, com consequências significativas para a saúde e o bem-estar das populações vulneráveis.

Segundo o boletim, a insegurança em Cabo Delgado, rica em gás e alvo de ataques extremistas há oito anos, desde o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, continua a provocar deslocações populacionais e a exercer pressão adicional sobre sistemas de saúde já fragilizados, mantendo elevadas as necessidades humanitárias entre deslocados, retornados e comunidades de acolhimento.

Em resposta, o ‘cluster’ avança que os parceiros humanitários têm mantido uma ação coordenada para assegurar a prestação de serviços essenciais de saúde, com intervenções centradas em clínicas móveis, vigilância epidemiológica, resposta a surtos, cuidados de saúde sexual e reprodutiva, apoio psicossocial e atividades de água, saneamento e higiene.

O relatório refere ainda que, durante junho, os parceiros reportaram resultados em apenas seis dos 15 indicadores previstos no HRP, sendo as consultas realizadas por clínicas móveis o indicador com melhor desempenho, alcançando 15.667 pessoas nas províncias de Cabo Delgado e Nampula.

Entre as organizações envolvidas na resposta, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) apoiou clínicas e brigadas móveis em vários distritos de Cabo Delgado, prestando 14.197 consultas de saúde e 405 consultas de saúde mental.

Entre os apoios incluem-se, por outras organizações, serviços de reabilitação física e apoio psicossocial a 415 pessoas em distritos afetados pelo conflito, enquanto a brigadas móveis e apoio à referenciação de doentes graves para o Hospital Provincial de Pemba.

Apesar dos resultados alcançados, o Cluster da Saúde alerta para limitações significativas de financiamento. O plano para o norte de Moçambique prevê necessidades na ordem dos 16 milhões de dólares (14 milhões de euros), tendo recebido aproximadamente três milhões de dólares (2,6 milhões de euros) até ao final de junho.

Segundo o boletim, "o baixo montante de fundos recebidos e a redução de algumas atividades devido às lacunas de financiamento refletem-se no baixo alcance da população-alvo".

O relatório acrescenta que algumas novas fontes de financiamento estão a surgir, embora ainda não estejam refletidas nos mecanismos de acompanhamento financeiro da resposta humanitária, sublinhando que o setor da saúde deverá continuar entre os mais subfinanciados ao longo de 2026.

O Cluster da Saúde de Moçambique reconhece ainda que persistem desafios relacionados com o acesso humanitário, restrições financeiras, escassez de recursos críticos e a necessidade de reforçar os sistemas de monitorização, gestão de informação e reporte.

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